
Quase 50 anos de história: trajetória de soldador da Orguel simboliza longevidade no trabalho e força das equipes multigeracionais
História de José Magno Pacheco revela como experiência e convivência entre gerações fortalecem empresas em um mercado de trabalho cada vez mais diverso
Em um mercado de trabalho marcado por mudanças rápidas e vínculos cada vez mais curtos, histórias de longa permanência em uma mesma empresa se tornam raras – e ainda mais valiosas. É o caso de José Magno Pacheco, soldador da Orguel, que se despediu recentemente da empresa após quase cinco décadas de trabalho.
Aos 72 anos, José Magno encerra uma jornada iniciada ainda muito jovem, acompanhando de perto a evolução da indústria, das técnicas manuais aos processos automatizados e robotizados que hoje fazem parte da rotina fabril.
A despedida aconteceu em um encontro marcado por emoção, reunindo colegas de trabalho, familiares, fundadores da empresa e lideranças da Orguel. “Estou saindo de coração apertado. Eu gosto muito de trabalhar aqui, gosto mesmo. Mas agora chegou a hora de cuidar do meu sítio, da minha rocinha, viver esse novo tempo. Só tenho gratidão por tudo que vivi aqui”, disse José Magno, emocionado. “Estou saindo, mas deixo as portas abertas”, brincou, ao encerrar seu discurso.
O evento contou com a presença do CEO da Orguel, Sérgio Guerra, que destacou o significado da história de José Magno para a empresa. “Foi um dia muito especial para todos nós. José Magno era o nosso colaborador mais longevo, um exemplo de dedicação, esforço, companheirismo e amizade. Momentos como esse são de muita gratidão por tudo o que ele construiu junto conosco”, afirmou o CEO Sérgio Guerra.
Longevidade profissional
A trajetória de José Magno reflete uma realidade cada vez mais discutida no mercado: o envelhecimento da força de trabalho e o valor estratégico de equipes multigeracionais. Se por um lado é menos comum permanecer décadas em uma mesma empresa, por outro cresce o número de profissionais mais experientes ativos e produtivos.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostram que o número de pessoas com mais de 60 anos ocupadas saltou 76% em pouco mais de uma década, passando de 4,9 milhões em 2012 para 8,6 milhões em 2025.
Esse movimento tem levado empresas a valorizarem cada vez mais a experiência acumulada, a maturidade emocional e o repertório técnico dos profissionais mais velhos, ao mesmo tempo em que integram novas gerações com diferentes visões, habilidades digitais e ritmo de trabalho.
Para José Magno, a convivência com profissionais mais jovens sempre foi natural. “Nunca vi problema nenhum em trabalhar com gente nova. Pelo contrário, sempre ensinei o que sabia e também aprendi muito. Eu falo para eles: quem está começando agora precisa plantar para colher lá na frente. Dedicação faz diferença”, aconselha.
Ele destaca que a tecnologia nunca foi uma barreira, mas uma oportunidade de evolução. “Comecei muito novo e fui crescendo junto com a empresa e com a profissão. Antes era tudo na mão, hoje tem máquinas, tecnologia e pessoas mais novas chegando o tempo todo. Eu fui aprendendo, me adaptando, acompanhando essa transformação”, ressalta.

