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Terceirização estratégica da manutenção: quando faz sentido ter equipes especializadas dentro da fábrica

Terceirização estratégica da manutenção: quando faz sentido ter equipes especializadas dentro da fábrica

Em um cenário industrial marcado por margens cada vez mais apertadas, avanço tecnológico acelerado e pressão por produtividade, a manutenção deixou de ser apenas uma função de suporte para se consolidar como área estratégica. Uma pesquisa realizada pela Plant Engineering, indicou que até 24% das indústrias destinam entre 11% e 15% do orçamento anual exclusivamente à manutenção, e cerca de 88% das plantas industriais terceirizam partes de suas atividades de manutenção, delegando, em média, 20% das tarefas a fornecedores externos.

Diante desse contexto, a terceirização da manutenção ganhou espaço como alternativa para reduzir custos fixos, acessar mão de obra especializada e aumentar a flexibilidade operacional. Para Jurandir de Sousa, técnico em mecatrônica e CEO da Erluma Comércio de Máquinas e Manutenção Industrial, a terceirização não deve ser vista como uma solução automática. “Ela funciona muito bem para atividades específicas, pontuais ou que exigem tecnologias muito especializadas. O problema surge quando a empresa abre mão do conhecimento crítico do seu próprio processo produtivo”, afirma.

O executivo também destaca que fábricas com linhas contínuas e processos sensíveis não podem depender exclusivamente de prestadores externos, já que, em falhas críticas, a presença de uma equipe interna, que conhece as particularidades da operação, é decisiva para reduzir paradas e prejuízos. Além da agilidade, a retenção de conhecimento técnico ganha ainda mais relevância com as novas tecnologias, que exigem profissionais capacitados para lidar com manutenção preditiva, sensores, análise de dados e automação.

Na avaliação de Sousa, o aconselhável é adotar um modelo híbrido. “O ideal é manter dentro da fábrica os profissionais responsáveis pelos ativos críticos e terceirizar atividades complementares, como manutenções programadas, picos de demanda ou serviços muito específicos. Assim, a empresa ganha eficiência sem perder controle pela dependência de fornecedores externos”, diz o especialista.

No Brasil, onde muitas indústrias ainda lidam com equipamentos antigos e infraestrutura heterogênea, a decisão se torna ainda mais sensível. Avaliar criticidade dos ativos, impacto de paradas, maturidade tecnológica e capacidade interna de formação de profissionais são passos essenciais antes de definir o modelo ideal. “Manutenção é estratégia de negócio. Empresas que entendem isso operam com mais segurança, previsibilidade e competitividade, independentemente do modelo escolhido”, conclui Jurandir de Sousa.

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