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Produção industrial brasileira cai em setembro e destaca importância da gestão eficiente para acesso ao crédito

Produção industrial brasileira cai em setembro e destaca importância da gestão eficiente para acesso ao crédito

Produção industrial cai e reforça que empresas com gestão eficiente mantêm vantagem no crédito

A retração de setembro mostra que o crédito caro favorece companhias organizadas e expõe o desafio de ampliar o acesso ao financiamento produtivo no país
A produção industrial brasileira recuou 0,4% em setembro, revertendo parte do crescimento de 0,7% registrado em agosto. O dado reforça o quadro de oscilação que tem marcado a atividade ao longo de 2025 e confirma que o país ainda não conseguiu estabelecer um ciclo de expansão produtiva. Mesmo com avanço acumulado de 1% ao ano e de 1,5% em 12 meses, a indústria segue 14,8% abaixo do pico histórico de 2011, embora já opere 2,3% acima do nível pré-pandemia. O levantamento mostra que 12 das 25 atividades pesquisadas apresentaram queda, com destaque para os segmentos farmacêutico, extrativo e automotivo, que recuaram com mais força diante da elevação dos custos financeiros e do enfraquecimento da demanda. Por outro lado, setores como o de alimentos, madeira e fumo mostraram reação positiva, sustentando parte da base industrial e atenuando o resultado geral. O problema não está apenas no curto prazo, mas na incapacidade estrutural do país, de ampliar sua competitividade e atrair investimentos produtivos num ambiente de crédito ainda restrito.

Para Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, o desempenho do setor mostra que a economia real ainda opera com estabilidade, mas sem força suficiente para iniciar um ciclo consistente de expansão. “Mesmo com avanço anual de 2%, o recuo no mês indica que o setor responde de forma imediata ao custo do capital e à restrição de crédito. A boa notícia é que a base de produção se mantém 2,3% acima do pré-pandemia, o que demonstra resiliência. Esse é o momento de fortalecer o elo entre crédito e produção: empresas com governança, conseguem acessar financiamentos estruturados com melhores condições, impulsionando produtividade e geração de caixa”. O movimento da indústria também reflete o impacto acumulado da política monetária sobre a confiança empresarial. Embora a inflação esteja controlada e o câmbio apresente estabilidade relativa, o custo elevado do dinheiro continua sendo o principal obstáculo à expansão.

Com juros ainda na casa dos 15% ao ano, o crédito corporativo segue caro e seletivo, o que afeta principalmente companhias de médio porte e setores que dependem de capital intensivo. Essa realidade tem levado empresas a buscar alternativas de financiamento fora do sistema bancário tradicional, por meio de estruturas mais sofisticadas de crédito, como FIDCs e fundos de recebíveis, que oferecem liquidez com menor dependência das taxas de mercado. Padula avalia que a retomada de um ciclo industrial sustentável passa justamente por esse reposicionamento do crédito no país. “O crédito empresarial, quando bem desenhado, é uma ponte direta entre estabilidade e crescimento. O investidor deve enxergar isso como oportunidade para participar do ciclo real da economia, com segurança e previsibilidade”. É nesse ponto que o Brasil pode transformar o atual momento de cautela em uma janela de reposicionamento como ampliar a conexão entre o mercado financeiro e o setor produtivo, destravando capital privado para financiar inovação, modernização e expansão industrial.

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