
No Koria Summit, cofundador da Kromavis destaca a relação entre nitrogênio e sustentabilidade na pintura
Kemalcan Süzen esteve no Brasil no último dia 26 de março, onde palestrou no primeiro evento do país dedicado à pintura industrial
A Koria, maior ecossistema de soluções para pintura do Brasil, realizou no último dia 26 de março, na Casa Perlage, em Farroupilha (RS), o Koria Summit. O evento, considerado o primeiro do país dedicado exclusivamente ao setor de pintura industrial, moveleira e de reparação automotiva, reuniu mais de 400 profissionais ao longo de 12 horas de programação distribuídas em dois palcos simultâneos.
Com mais de 20 palestrantes, sendo três deles internacionais, e a participação de 15 marcas expositoras, o evento entregou uma imersão completa em tecnologia, inovação, gestão e tendências do segmento. Entre os destaques internacionais, Kemalcan Süzen, cofundador da Kromavis, destacou que a otimização dos processos de pintura com o uso do nitrogênio traz economia, sustentabilidade e eficiência às indústrias.
Em sua exposição de ideias, o engenheiro turco compartilhou um case da montadora alemã Mercedes-Benz, que buscava diminuir suas emissões de compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês). Junto a ela, a Kromavis desenvolveu análises profundas e personalizadas dedicadas à engenharia de processos, com o olhar voltado ao desperdício gerado pela pulverização excessiva (overspray), o que trouxe economia de tempo e dinheiro à fabricante.
Confira uma entrevista exclusiva com o especialista:
- O uso do nitrogênio é uma evolução incremental ou uma ruptura real no processo de pintura automotiva?
Süzen: Depende de cada empresa. Para grandes corporações, por exemplo, o uso do nitrogênio pode revolucionar os trabalhos e gerar impactos muito maiores do que em pequenas operações. Isso acontece porque uma empresa de grande porte pode ter 9% de desperdício, o que acarreta em milhares de dólares ou euros. Ou seja, otimizar esse processo irá economizar grandes quantidades de dinheiro.
- Quais ganhos concretos o nitrogênio traz em termos de redução de custos, retrabalho e desperdício?
Süzen: O maior ganho é a qualidade mais estável. Isso acontece ao reduzir a quantidade de peças descartadas ou retrabalhadas ao longo da produção. A consistência do processo melhora e também reduz custos, porque o retrabalho consome mão de obra, materiais, produtos químicos e ainda afeta a produtividade da linha e a entrega ao cliente.
- Essa tecnologia tem exclusiva aplicação na Europa ou já pode ser encontrada em indústrias brasileiras?
Süzen: Esta tecnologia está presente para além da Europa e já é realidade em indústrias brasileiras, tanto automotivas quanto moveleiras. Temos um parceiro exclusivo de trabalho no Brasil que é responsável por cases como Bontempo, Herval, Sier e Yamaha.
- Qual o impacto do nitrogênio na sustentabilidade do processo, especialmente em emissões e consumo de insumos?
Süzen: Existe a busca crescente para diminuir o consumo de solventes e as emissões de VOCs. As emissões vêm do overspray, ou seja, do material que se dispersa para fora do processo. Então, quando você reduz o consumo de tintas e solventes, por meio da otimização de processos, isso contribui para a sustentabilidade. Em outras palavras, se você torna o processo mais eficiente, também o torna mais sustentável para o meio ambiente.
- O que essa mudança revela sobre o futuro das linhas de pintura automotiva nos próximos 5 ou 10 anos?
Süzen: Nossa solução é muito eficiente no setor automotivo, especialmente nas montadoras, porque estamos falando de grandes operações, que têm altos gastos. Com ela, estamos ajudando a reduzir o consumo e aumentar a qualidade da produção. O mercado segue em desenvolvimento e nós também precisaremos seguir evoluindo. Só assim poderemos, cada vez mais, ampliar a eficiência dos processos de pintura.

