
Diploma do SENAI contribui para salários até 10% maiores na indústria
á quem tem graduação do SENAI recebe 17,3% a mais. A análise foi feita a partir do cruzamento dos dados de concluintes do SENAI com informações da RAIS
Um estudo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), conduzido pelo Observatório Nacional da Indústria, aponta que os concluintes da instituição recebem, em média, salários 10,2% superiores aos de outros profissionais que exercem a mesma função na indústria. Quando a comparação é feita sem distinção de setor, o diferencial salarial é de 8,2%, em média, e para trabalhadores admitidos há menos de 12 meses, o índice chega a 6,3%. No ensino superior, a vantagem salarial é ainda mais expressiva: quem se formou no SENAI recebe 17,3% a mais do que profissionais formados em outras instituições.
“Isso confirma que a educação profissional de qualidade, como a ofertada pelo SENAI há 84 anos, amplia as chances de entrar no mercado de trabalho e de avançar na carreira profissional, sobretudo na indústria, onde são exigidas competências técnicas atualizadas”, afirma o diretor geral do SENAI, Gustavo Leal.
A análise utiliza dados do SENAI combinados às informações do mercado formal de trabalho do Registro Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE) e aplica modelos econométricos que controlam características demográficas e do vínculo laboral. Os resultados mostram que a diferença salarial é especialmente relevante na indústria, setor diretamente alinhado às áreas de formação profissional promovidas pelo SENAI.
Foram considerados quatro tipos de formação oferecidas pelo SENAI para essa análise: a Formação Inicial que reúne programas de entrada no mundo do trabalho, como iniciação profissional, aprendizagem industrial e qualificação profissional; a Formação Técnica de Nível Médio que engloba os cursos técnicos voltados à preparação prática e tecnológica para ocupações industriais; já a Formação Continuada que inclui aperfeiçoamentos, especializações profissionais e cursos de extensão, direcionados à atualização e ao desenvolvimento de novas competências ao longo da carreira; por fim, a Educação Superior que contempla graduações tecnológicas e pós-graduações lato sensu, com foco em especialização para atuação em setores industriais e tecnológicos.
Diploma superior do SENAI tem maior impacto no Sul e no Sudeste
O diferencial salarial varia de forma significativa entre regiões e níveis de formação. No Sudeste, concluintes têm vantagem no nível superior (17,6%) e na formação continuada (12,2%). Já no Sul, o efeito total para egressos é de 8,5%, com destaque para cursos superiores (23,1%) e técnicos (13,9%).
Técnico impulsiona salários no Centro-Oeste, Norte e Nordeste
No Centro-Oeste, egressos do SENAI apresentam ganhos médios de 10,7%, com destaque para formação continuada (15%) e para cursos técnicos (8,8%).
No Norte, o efeito geral para egressos do SENAI chega a 9,5% na indústria. Nas análises por modalidade, cursos técnicos registram 13,7% e na formação continuada 14,6%. No Nordeste, o diferencial geral chega a 12%, com forte desempenho em cursos técnicos (10,2%) e continuados (19,3%).
“Esses resultados mostram que, embora a formação técnica seja um motor consistente de diferenciação salarial, o impacto varia conforme a estrutura produtiva e as demandas industriais de cada região”, explica Leal.
IA do SENAI ajuda a impulsionar carreira profissional
Para apoiar estudantes e profissionais na construção de trajetórias alinhadas às demandas do mercado de trabalho, o SENAI criou a Nai, uma plataforma gratuita de inteligência artificial para Carreira e Empregabilidade. Desenvolvida com tecnologia de IA do Google Cloud, a ferramenta analisa o perfil profissional dos usuários a partir de informações como currículo, histórico acadêmico e objetivos de carreira, identificando competências, sugerindo capacitações e apontando áreas com boa empregabilidade.
A iniciativa integra a parceria firmada em 2023 entre SENAI, Serviço Social da Indústria (SESI) e Google Cloud, que prevê ações de transformação digital na educação profissional, na educação superior e em outros serviços voltados à indústria.

