Tecnologia vira base e experiência ganha valor na NRF 2026

Tecnologia vira base e experiência ganha valor na NRF 2026

Evento em Nova York aponta IA operacional, autenticidade e “fome sensorial” como vetores para competitividade de bares e restaurantes

A NRF Retail’s Big Show 2026, realizada entre 11 e 13 de janeiro, em Nova York, reforçou uma mudança estrutural no varejo: tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser base, enquanto atributos se consolidam como vantagem competitiva. Para o setor de alimentação fora do lar, os debates indicam oportunidades concretas de ganho de produtividade com inteligência artificial, sem perda do principal ativo do negócio: a experiência no atendimento.

No campo da inteligência artificial, o evento destacou a transição de modelos baseados em busca por palavras-chave para jornadas orientadas por intenção, em que o consumidor “conversa” com plataformas que entendem contexto e objetivos antes de sugerir soluções.

Em bares e restaurantes, isso se traduz em sistemas capazes de sugerir combinações, orientar escolhas, prever demanda e apoiar o atendimento, simplificando a experiência do cliente e aumentando a eficiência operacional.

No evento foi discutido que a IA tende a organizar a gestão do negócio para liberar tempo e energia da equipe para reforçar o cuidado e o acolhimento humano. A recomendação ao empresário é tratar a tecnologia como base de processos, sem substituir a hospitalidade, mas ampliando consistência e velocidade da operação.

Outro eixo relevante debatido no evento foi sobre autenticidade e comunicação. As marcas vencedoras abandonam o discurso puramente comercial e apostam em conexões emocionais baseadas em valores como verdade e identificação. Para o setor, a proposta de valor precisa ser coerente “do balcão ao digital”, com comunicação mais honesta e aderente ao cotidiano do negócio.

A NRF 2026 trouxe ao centro a busca do consumidor por experiências que gerem vínculo, conforto e significado, um movimento descrito como “fome sensorial”, em resposta ao excesso de telas. Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, é preciso ter estratégia porque além de vender comida e bebida é preciso preparar ambientes e serviços que entreguem presença e conexão humana.

“A NRF 2026 reforça uma virada importante porque a tecnologia deixa de ser alternativa e passa a ser fundamental na gestão. Para o empresário, isso significa que é preciso usar inteligência artificial e dados para ganhar eficiência sem abrir mão do que sustenta o setor que é a hospitalidade e experiência. Por isso, é preciso implementar soluções com foco na jornada do cliente de forma que a inteligência artificial junto ao humano personifique cada vez mais as entregas para que elas sejam únicas e potentes”, comenta.

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