
Cenário do diesel no Brasil: risco de nova tarifa americana e reajustes nas refinarias geram preocupações no setor de transporte
Diesel sob pressão: com risco de nova tarifa americana e reajustes nas refinarias, cenário de alta do combustível preocupa o setor de transporte
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Vitor Sabag, especialista em combustível do Gasola produziu um artigo que analisa o atual cenário do mercado de diesel no Brasil. Com possíveis reajustes nas refinarias, defasagem nos preços da Petrobras e tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Rússia, o texto destaca os principais fatores que colocam o setor de transporte em alerta neste início de agosto.
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Diesel sob pressão: com risco de nova tarifa americana e reajustes nas refinarias, cenário de alta do combustível preocupa o setor de transporte
Por Vitor Sabag, especialista em combustível do Gasola, produto da nstech
O mês de julho foi marcado por um clima de tensão e expectativa no mercado de combustíveis. Enquanto a Petrobras permaneceu inerte, sem anunciar qualquer movimentação nos preços do diesel, o restante do mercado deu sinais claros de que o valor do combustível pode mudar a qualquer momento — e para cima.
A estatal já acumula uma defasagem relevante em relação aos preços praticados no mercado internacional, o que aumenta a expectativa para um possível reajuste a ser anunciado nos próximos dias. A famosa “arbitragem”, que compara o preço do diesel praticado no Brasil com o valor do produto importado, mostra que há margem significativa para aumento. Ou seja, o sinal amarelo está aceso.
Por outro lado, as refinarias privadas que atuam no país, como a Acelen, não esperaram. Pelo contrário: já vêm reajustando os preços há semanas. Somando os aumentos aplicados nos últimos dois meses, já são mais de R$0,30 por litro de alta. O impacto é direto, especialmente nas regiões atendidas por essas refinarias, como o Nordeste. O produto importado, que também compõe uma fatia importante da oferta de diesel no Brasil — já que não somos autossuficientes —, também subiu, mas com um ritmo mais contido. O aumento médio foi de R$0,05 por litro em julho, bem abaixo dos patamares observados nos meses anteriores, o que pode indicar um certo respiro. Mas ainda assim, seguimos sem direcionamento oficial.
No campo político, as incertezas também marcaram o mês. Em meados de julho, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a tensão na relação entre os dois países. O grande temor era de que o Brasil respondesse com medidas equivalentes, o que incluiria o diesel vindo dos Estados Unidos — nosso segundo maior fornecedor, atrás apenas da Rússia. No entanto, no fim do mês, Trump divulgou a lista final de isenções e, entre os produtos liberados da taxação, estavam justamente o petróleo e os combustíveis. A notícia serviu para acalmar os ânimos e afastar o risco imediato de aumento de preços por esse motivo.
Mas nem tudo está resolvido. Agora, a atenção está no fato de Trump também vem ameaçando aplicar uma nova rodada de sanções à Rússia, como forma de pressionar um acordo de cessar-fogo na guerra com a Ucrânia. A grande preocupação é que essas sanções sejam direcionadas aos países que seguem comprando diesel russo — caso do Brasil. Hoje, a Rússia é o principal fornecedor de diesel importado para o país, justamente porque vende o combustível com desconto, aproveitando o fato de que muitos países ainda evitam negociar com os russos por conta dos embargos internacionais. Caso o governo americano decida punir os compradores desse produto, a importação brasileira será diretamente afetada. E mesmo que o Brasil encontre outros fornecedores, é quase certo que o custo será maior.
Para o frotista e o transportador, o recado é direto: atenção redobrada. É hora de acompanhar o mercado de perto, negociar com inteligência e preparar o caixa para um possível movimento de alta de custos com combustível. O ano de 2025 tem mostrado que qualquer detalhe – um anúncio em Brasília ou uma fala em Washington – pode impactar diretamente o valor do combustível que sai da bomba. E como sempre, cada centavo faz diferença no fim do mês.

