
Alemanha assume controle de três refinarias de petróleo da Rosneft
A Alemanha assumiu o controle temporário das refinarias de petróleo de propriedade russa, enquanto a guerra na Ucrânia atinge sua indústria de energia.
As três refinarias da Rosneft incluem uma instalação-chave no Nordeste do país à qual fornece cerca de 90% do combustível de Berlim.
De acordo com o Ministério da Economia, a medida foi necessária para neutralizar uma ameaça iminente à segurança energética.
Em um movimento semelhante em abril, a Alemanha assumiu o controle das subsidiárias da gigante russa de gás Gazprom.
Na sexta-feira, o governo alemão entregou o controle da refinaria PCK Schwedt em Brandemburgo ao regulador nacional de energia, juntamente com outras duas refinarias no Sul do país.
O Ministério da Economia informou que a medida era necessária porque os provedores de serviços e clientes críticos não estavam mais dispostos a trabalhar com a Rosneft, colocando em risco a operação contínua das refinarias.
A refinaria de Schwedt é a quarta maior da Alemanha e é o principal fornecedor de gasolina, diesel e combustível de aviação para Berlim e arredores. A Rosneft tem uma participação de 54% na instalação.
A refinaria recebeu todo o petróleo bruto da Rússia por meio do oleoduto Druzhba desde que foi construída na década de 1960. Partes do Oeste da Polônia também são fornecidas pela Schwedt.
Faz menos de um ano que a Rosneft concordou em comprar a participação da Shell na PCK, um movimento que lhe daria mais de 90% de propriedade da vital refinaria de Schwedt.
Esse acordo foi arruinado pela guerra na Ucrânia. Agora, o governo alemão tem o controle – um símbolo das grandes mudanças impostas ao setor de energia da Europa devido ao conflito.
Em outros tempos, a refinaria receberia grandes quantidades de petróleo bruto trazido da Rússia central por meio do oleoduto Druzbha e bombearia produtos refinados para Berlim e Brandemburgo.
Mas como a Alemanha prometeu boicotar o petróleo russo – embora o oleoduto em si não esteja coberto pelo embargo da UE – novas fontes de abastecimento terão que ser encontradas.
Com a Rosneft no comando, isso era visto como uma tarefa impossível. Havia preocupações em Berlim de que a empresa russa simplesmente suspendesse as operações na fábrica, em vez de usar petróleo não russo.
Essa dor de cabeça agora foi removida – embora ainda não esteja claro de onde virão suprimentos alternativos.
A Rosneft Deutschland, que responde por cerca de 12% da capacidade alemã de processamento de petróleo, ficará sob a tutela do regulador Federal Network Agency, o qual informou que o proprietário original não tinha mais autoridade para emitir instruções. O regulador também recebeu o controle da subsidiária da Rosneft RN Refining and Marketing.
“Com a tutela, a ameaça à segurança do fornecimento de energia será combatida e uma pedra fundamental será colocada para a preservação e o futuro do local de Schwedt”, disse o Ministério da Economia da Alemanha que alegou também que fornecedores críticos, como seguradoras, provedores de TI e bancos, não estavam mais dispostos a trabalhar com a Rosneft, seja com as próprias subsidiárias ou por meio das refinarias.
A Federal Network Agency também assumiu o controle das ações da Rosneft Deutschland na refinaria MiRo em Karlsruhe e na refinaria Bayernoil em Vohburg. A Rosneft detém participações de 28% e 24%, respectivamente.
A Alemanha precisa interromper as importações de petróleo russo até o final do ano sob as sanções europeias impostas devido à invasão na Ucrânia pela Rússia.
O ministério afirmou que a medida de sexta-feira inclui um pacote para garantir que a refinaria de Schwedt possa receber petróleo de rotas alternativas.
Não está claro quem poderia substituir a Rosneft como operadora da refinaria. A Shell, que detém uma participação de 37,5% na Schwedt, intenciona se retirar há algum tempo.
Segundo a Alemanha, nesta semana serão aumentados os empréstimos para empresas de energia que correm o risco de serem esmagadas pela disparada dos preços do gás, depois que a Rússia cortou o fornecimento para a Europa em retaliação às sanções ocidentais.
A concessionária alemã Uniper disse na quarta-feira que o governo poderá assumir o controle acionário e afirmou que um pacote de resgate estatal anterior no valor de € 19 bilhões de euros não era mais suficiente.
O governo também colocou a SEFE, anteriormente conhecida como Gazprom Germania, sob tutela depois que a gigante russa de energia Gazprom abandonou-a em abril.
Fonte: BBC
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