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ASSOBIO defende política tributária diferenciada para alavancar economia verde na Amazônia
Desenvolvimento Sustentável

ASSOBIO defende política tributária diferenciada para alavancar economia verde na Amazônia

Redação4 min de leitura

Em resumo

Em meio à urgência de repensar os modelos econômicos, a luta por uma política tributária que reconheça e valorize a inovação e a sustentabilidade dos negócios da bioeconomia ganha novo fôlego. Essa é uma batalha antiga dos empreendedores que transformam os recursos da Amazônia em produtos de alto valor agregado, demonstrando que é possível impulsionar …

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AutoriaRedação Indústria S/A
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Em meio à urgência de repensar os modelos econômicos, a luta por uma política tributária que reconheça e valorize a inovação e a sustentabilidade dos negócios da bioeconomia ganha novo fôlego. Essa é uma batalha antiga dos empreendedores que transformam os recursos da Amazônia em produtos de alto valor agregado, demonstrando que é possível impulsionar o desenvolvimento econômico sem sacrificar a floresta. Políticas diferenciadas podem ser o catalisador para tornar a “floresta em pé” sinônimo de prosperidade e inovação.

O assunto será tema de um dos painéis da Green Zone, no dia 21 de novembro, conduzido pela Associação dos Negócios da Sociobioeconomia (ASSOBIO), que reúne 126 pequenos e médios empreendimentos com o objetivo de proteger e promover a sociobiodiversidade da Amazônia, integrando aspectos socioeconômicos e ambientais.

Fundada em 2023, a entidade é resultado de um ecossistema cada vez mais importante na região, que incentiva uma economia verde, geradora de emprego e renda nas cidades amazônicas. Os 126 negócios, somados, geram mais de R$ 52 milhões em renda por ano, criam mais de mil empregos diretos e promovem impacto positivo em mais de 70 mil pessoas que vivem e produzem utilizando de forma responsável os insumos retirados da floresta.

Para o presidente da ASSOBIO, Paulo Reis, uma política tributária diferenciada busca corrigir um problema estrutural antigo. “A Amazônia não precisa ser fornecedora de matéria-prima bruta. Todos os empreendimentos ligados à ASSOBIO demonstram que é possível criar produtos com os insumos da floresta, investindo em tecnologia, agregando valor, construindo cadeias produtivas que mantêm a floresta em pé e geram renda e desenvolvimento para a região”, enfatiza Paulo Reis.

A proposta da associação é que o Estado adote uma política tributária com até 90% de crédito presumido para os produtos da bioeconomia que passem por industrialização dentro do território paraense, além de contrapartidas obrigatórias para grandes empresas, seguindo lógica similar à já aplicada ao setor frigorífico.

Segundo estimativas do setor, cada real investido no comércio da sociobioeconomia retorna cerca de 140%, e empresas consolidadas, como a Natura, já demonstram o potencial de geração de empregos diretos. A expectativa é que novos polos industriais de médio e grande porte fortaleçam centenas de pequenos produtores.

Para Paulo Reis, a discussão pretende avançar na diferenciação dos produtos da sociobioeconomia dentro da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), permitindo tratamento tributário específico para itens que comprovem origem amazônica, impacto socioambiental positivo e vínculo com cadeias produtivas tradicionais.

“A Amazônia tem potencial para conquistar um protagonismo econômico, mas precisamos criar mecanismos políticos imediatos para que isso ocorra de fato e saia o mais rápido possível do papel. O momento é agora. Temos que aproveitar que o mundo está olhando para a Amazônia e fazer a diferença”, reforça Paulo Reis.

Produtividade com a floresta em pé

A pressão por políticas tributárias capazes de impulsionar empreendedores que produzem na Amazônia sem derrubar a floresta vem crescendo exponencialmente. A chamada sociobioeconomia, baseada no uso sustentável de ativos naturais e saberes tradicionais, começa a ganhar protagonismo político e econômico, mas ainda enfrenta gargalos históricos, como a baixa competitividade frente à indústria convencional, a falta de verticalização e a dificuldade de manter o valor agregado dentro da região.

A proposta da ASSOBIO de adotar um modelo tributário diferenciado para os negócios da sociobioeconomia já está em debate com o Governo do Pará, o setor produtivo e organizações da floresta. A iniciativa é vista como chave para destravar o potencial econômico da Amazônia.

“A base desse debate é simples: a floresta em pé precisa ser mais competitiva do que a floresta derrubada. Quem produz respeitando a floresta, gerando renda, agregando valor e, principalmente, inovando, precisa ter esse apoio dos governos. Essa luta deve ser de todos que defendem uma economia verde, sustentável e produtiva”, afirma Paulo Reis.

O desafio, porém, ainda inclui outro obstáculo: a falta de compreensão nacional sobre o tema. Pesquisa recente encomendada pela ASSOBIO, em parceria com a FutureBrand São Paulo, com apoio de dados da Timelens e financiada pelo Fundo Vale, mostrou que 65% dos brasileiros desconhecem a Amazônia e apenas 34% afirmam entender o que é bioeconomia, embora a maioria reconheça seu potencial para conciliar desenvolvimento e conservação.

Mais de 80% acreditam que é possível gerar riqueza sem destruir a floresta, e 84% defendem certificações que garantam a origem dos produtos amazônicos.

Para a ASSOBIO, esses dados reforçam a urgência de criar políticas que aproximem a Amazônia do cotidiano do restante do país. “A bioeconomia representa inovação, ancestralidade, cultura e tecnologia. É uma oportunidade histórica de reposicionar a Amazônia e o Brasil como líderes globais em desenvolvimento sustentável”, destaca o presidente da ASSOBIO.

A expectativa é que o novo arcabouço tributário estadual, atualmente em fase de estruturação e diálogo com todos os stakeholders envolvidos na questão, seja um marco para transformar a sociobioeconomia em uma estratégia permanente de geração de riqueza e proteção ambiental.

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