
Automação resolve um problema que o setor de autopeças insiste em adiar
Por Rafael Calixto, CEO da Zydon*
Apesar dos avanços tecnológicos no varejo e na indústria, o processo manual de pedidos ainda é realidade em boa parte das distribuidoras de autopeças e tratorpeças no Brasil. O que antes funcionava como uma solução operacional aceitável hoje se transformou em um gargalo evidente para a competitividade. A digitação manual consome tempo, eleva a incidência de erros, pressiona margens e compromete a experiência do cliente em um mercado cada vez mais orientado por agilidade, precisão e eficiência.
Em um ambiente de margens estreitas e concorrência acirrada, a automação deixou de ser um ganho operacional acessório para se tornar um fator decisivo de crescimento e sobrevivência. Empresas que insistem em processos manuais enfrentam atrasos no atendimento, dificuldades para escalar suas operações e maior risco de perda de pedidos. Ao mesmo tempo, concorrentes mais digitalizados avançam com estruturas comerciais mais enxutas, processos padronizados e maior capacidade de resposta às demandas do mercado.
Segundo a consultoria Roland Berger, organizações que adotaram processos digitais na indústria automotiva registraram ganhos de até 20% em produtividade e redução de até 15% nos custos operacionais. Esses números evidenciam que a digitalização não é apenas uma tendência tecnológica, mas uma decisão estratégica com impacto direto no resultado financeiro. A aceleração da transformação digital no setor é impulsionada por tecnologias capazes de integrar pedidos, estoque, preços e dados comerciais em tempo real.
A automatização reduz significativamente o retrabalho, elimina falhas humanas recorrentes na digitação e cria fluxos mais previsíveis e confiáveis, aspecto essencial para operações que lidam com milhares de produtos diferentes e elevada complexidade de catalogação, como é o caso das distribuidoras de autopeças. O setor de autopeças é altamente sazonal e sensível a oscilações do mercado, exigindo agilidade e capacidade de resposta que processos manuais simplesmente não conseguem entregar.
Esse movimento se torna ainda mais relevante diante das perspectivas de crescimento do setor. Estimativas da McKinsey indicam que o mercado brasileiro de autopeças, atualmente avaliado em cerca de US$ 13 bilhões, poderá alcançar US$ 25 bilhões até 2040. Trata-se de uma expansão significativa, que tende a beneficiar empresas preparadas para operar em escala, com processos eficientes, dados integrados e capacidade de resposta rápida. Nesse cenário, organizações que permanecem presas a fluxos manuais correm o risco de não capturar esse crescimento, ou até mesmo de perder espaço para concorrentes mais digitalizados.
Modelos baseados em históricos fragmentados ou em decisões intuitivas já não acompanham a dinâmica de um mercado volátil. Sistemas automatizados permitem análises mais precisas, antecipam rupturas, equilibram níveis de estoque e apoiam decisões estratégicas, reduzindo perdas financeiras e elevando o nível de serviço ao cliente. A automação da cadeia de suprimentos também exerce papel central nesse contexto.
Ao reduzir custos de mão de obra, diminuir erros operacionais e melhorar a escalabilidade, a digitalização responde diretamente aos desafios de margens comprimidas e aumento da competitividade. Trata-se de um movimento essencial para empresas que desejam crescer de forma sustentável sem ampliar proporcionalmente sua estrutura de custos. Mesmo diante de benefícios claros, a resistência interna ainda figura entre os principais entraves à automação.
Equipes habituadas a métodos tradicionais tendem a enxergar a digitalização como uma ameaça, quando, na prática, ela atua como um facilitador do trabalho comercial. Ao automatizar tarefas repetitivas, os times ganham tempo para se dedicar ao relacionamento com clientes, à negociação e à expansão da carteira, atividades de maior valor agregado. Há também a percepção equivocada de que a automação é complexa, cara ou inacessível.
Atualmente, soluções digitais podem ser implementadas de forma gradual, ajustadas ao porte da operação e integradas aos sistemas já existentes. O avanço da tecnologia tornou a digitalização mais democrática, permitindo que distribuidores de diferentes tamanhos avancem nesse processo sem rupturas operacionais. A adoção de processos automatizados deixou de ser um diferencial exclusivo de grandes empresas e passou a representar um requisito básico para competir em um mercado orientado por velocidade, dados e experiência do cliente.
Postergar essa transição significa acumular ineficiências que se refletem diretamente em custos operacionais, perda de pedidos e redução da competitividade. O futuro do setor de autopeças já está em curso e aponta para operações cada vez mais digitais, inteligentes e integradas. A discussão deixou de ser se vale a pena automatizar o processo de pedidos e passou a ser quando e como fazê-lo de maneira estratégica. Em um mercado cada vez mais dinâmico, insistir em processos manuais é, na prática, optar por ficar para trás.

