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Calor extremo expõe vulnerabilidade das empresas brasileiras e reforça urgência da gestão climática estratégica

Calor extremo expõe vulnerabilidade das empresas brasileiras e reforça urgência da gestão climática estratégica

Consultoria especializada em sustentabilidade alerta que integrar riscos climáticos à estratégia deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência corporativa

O aumento da frequência de ondas de calor, chuvas intensas e eventos climáticos extremos no Brasil tem deixado de ser apenas um tema ambiental para se tornar um risco direto ao negócio. Para a Ecovalor, consultoria especializada em ESG e sustentabilidade corporativa, esses episódios evidenciam uma fragilidade ainda presente na governança climática das empresas brasileiras, especialmente naquelas que seguem tratando o tema de forma reativa.

Segundo Elias Neto, CEO da empresa, muitas organizações ainda enxergam o clima como uma pauta isolada, desconectada do planejamento estratégico: “Muitas empresas ainda não têm clareza sobre como os riscos climáticos podem impactar o caixa e suas operações. É preciso analisar não só os reflexos da empresa, mas também a sua cadeia de valor (fornecedores, clientes etc.). Seguir negligenciando este exercício de prevenção é perigoso”, afirma.

Na prática, as falhas começam no mapeamento de riscos. É comum que corporações limitem suas análises a secas e enchentes, ignorando ameaças como ondas de calor, incêndios, deslizamentos, estresse hídrico e colapso de infraestrutura. Outro ponto crítico é a falta de granularidade: avaliações feitas apenas por unidade de negócio ou de forma global não capturam vulnerabilidades específicas por ativo, rota logística, bacia hidrográfica ou região. O resultado são planos de contingência genéricos, que pouco ajudam quando o evento extremo acontece de fato.

Além disso, parte das análises baseiam-se exclusivamente em dados históricos, sem considerar projeções futuras e testes de cenários. Em um contexto de mudanças climáticas aceleradas, olhar apenas para o passado significa subestimar riscos que já estão se intensificando.

O custo da inação tende a se materializar a curto prazo. Financeiramente, empresas podem perder estoques, comprometer máquinas e enfrentar queda de produtividade ou quebra de contratos. Operacionalmente, sofrem com paralisações inesperadas, falhas na cadeia de suprimentos, bloqueio de rotas e impactos diretos na rotina dos colaboradores. No campo reputacional, o despreparo afeta a confiança de clientes, investidores e comunidades. “Quando um alagamento danifica ativos, uma onda de calor reduz a produtividade ou uma estrada interrompida atrasa entregas, o impacto físico vira impacto financeiro quase instantaneamente. É menos receita, mais custo e mais imprevisibilidade”, explica Neto.

Com a intensificação dos eventos extremos, instituições  podem enfrentar ainda este ano interrupções operacionais recorrentes, aumento de custos com energia e água, maior risco de acidentes ocupacionais, atrasos logísticos e danos a ativos físicos. Como esses episódios tendem a se repetir, os impactos se acumulam e pressionam margens, produtividade e competitividade.

Apesar do avanço do discurso ESG no mercado, ainda existe um descompasso entre narrativa e prática. Segundo a Ecovalor, muitas organizações só evoluem após sofrerem impactos concretos. A baixa maturidade em governança climática faz com que o tema receba pouco orçamento, não tenha equipe dedicada e permaneça fora da agenda estratégica.

Para reverter esse cenário, a consultoria defende uma gestão ambiental integrada ao negócio, com mapeamento detalhado de ativos, análises de risco físico por localização, uso de mapas geoespaciais, projeções climáticas, testes de cenários e planos de continuidade atualizados. A incorporação de frameworks (conjuntos de diretrizes) como TCFD (força-tarefa para divulgações financeiras relacionadas ao clima) e IFRS S2 (norma internacional de divulgação de informações sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima), também contribui para organizar a governança e tornar as decisões mais acionáveis: “Quando a gestão ambiental é estratégica, ela deixa de ser obrigação e se torna proteção de caixa, de ativos e de competitividade. Planejar é sempre mais barato do que remediar. O clima já impacta o dia a dia dos negócios. Quem deixa para depois paga o dobro”, conclui o CEO da Ecovalor.

 
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