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Brasil e Coreia do Sul estreitam laços comerciais e de investimento em tecnologia, energia e agronegócio
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Brasil e Coreia do Sul estreitam laços comerciais e de investimento em tecnologia, energia e agronegócio

Redação Indústria S/A

Brasil e Coreia do Sul reforçam parceria estratégica com novas frentes de comércio e investimento. Fórum empresarial em São Paulo reuniu autoridades e empresários para discutir a diversificação de mercados e ampliação da cooperação bilateral.

Brasil e Coreia do Sul abrem novas frentes de comércio e investimento e reforçam parceria estratégica. Fórum empresarial em São Paulo reúne Alckmin, presidente sul-coreano Lee Jae Myung e empresários dos dois países para discutir diversificação de mercados para exportações brasileiras e ampliação da cooperação nas áreas de tecnologia, energia e agronegócio

São Paulo - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Federação de Indústrias Coreanas (FKI), realizou nesta terça-feira (28), em São Paulo, o “Brazil-Korea Business Roundtable”. O encontro integrou a programação da visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ao Brasil e reuniu o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, além de lideranças empresariais brasileiras e sul-coreanas dos setores automotivo, tecnológico, de saúde, cosméticos, alimentos e indústria pesada.

O fórum é o desdobramento mais recente da relação bilateral que vem se intensificando ao longo dos últimos anos. Em fevereiro de 2026, a ApexBrasil reuniu 450 empresários dos dois países em Fórum Empresarial realizado em Seul. A presença do presidente Lee no Brasil, cinco meses depois desta missão, e a assinatura de sete memorandos de cooperação entre os dois governos, em Brasília, na véspera do fórum, sinalizam o novo patamar de aproximação entre os dois países.

“A presença do presidente Lee no Brasil, cinco meses depois da nossa Missão Empresarial à Coreia, mostra o ritmo que queremos dar a essa relação. Nesta semana, em Brasília, Brasil e Coreia do Sul assinaram sete memorandos de cooperação nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes e energia”, ressaltou Geraldo Alckmin, vice-presidente da República.

Para o Brasil, a parceria com a Coreia do Sul, 13ª economia do mundo e 11º maior importador global, é vista como peça central da estratégia de diversificação de mercados que vem sendo adotada pelo governo brasileiro, especialmente no atual momento de reorganização das cadeias produtivas globais impulsionada por fatores geopolíticos, tecnológicos e climáticos.

Atualmente, a corrente de comércio bilateral soma cerca de US$ 11 bilhões, concentrada em petróleo, minério de ferro, soja, etanol industrial e carne de aves na pauta exportadora brasileira, e em eletrônicos, autopeças e medicamentos na pauta coreana. Apesar do volume, o Brasil ainda responde por apenas 1% das importações totais da Coreia do Sul, índice abaixo da média de participação brasileira nas importações mundiais (1,4%).

Isso mostra um espaço relevante para crescimento, conforme apontado pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante seu discurso no Forum. “A Coreia do Sul importa em torno de US$ 600 bilhões por ano. O Brasil tem uma corrente de comércio com o país que está em torno de US$ 11 bilhões e exporta mais ou menos US$ 5 bilhões. Isso significa que o Brasil participa com 1% do comércio de importação da Coreia, e os empresários que estão aqui estão convictos de que podemos crescer muito.”

O presidente da ApexBrasil lembrou ainda a importância de se construir relações de confiança no atual cenário econômico internacional. “Vivemos um momento de incerteza e fragmentação, e o que precisamos é estabilidade, confiança e previsibilidade. É isso que o Brasil vê nesse parceiro tão importante que é a Coreia do Sul. E é por isso que os empresários brasileiros estão aqui”.

Durante o discurso no evento, o presidente Lee Jae Myung destacou o simbolismo de discutir a cooperação bilateral na cidade de São Paulo. “É uma grande satisfação estar aqui. Em especial, é muito significativo poder discutir a futura cooperação entre nossos dois países aqui em São Paulo, considerada o coração econômico da América do Sul. Vivemos um cenário marcado pelo aprofundamento da disputa pela liderança tecnológica, simbolizada pela revolução da inteligência artificial e pela reorganização das cadeias globais de suprimentos. A indústria e a ordem econômica mundial estão passando por rápidas transformações”, concluiu.

Nesse espírito de aproximar discurso e prática o fórum contou com uma rodada de negócios fechada, organizada em três eixos temáticos: Manufatura e Infraestrutura, Indústrias Avançadas, e Bens de Consumo e Distribuição. Ao todo, estiveram presentes 15 CEOs e presidentes de empresas sul-coreanas e um número equivalente de executivos brasileiros.

Do lado coreano, participaram nomes como Euisun Chung (Hyundai Motor Group), Kim Jong-chul, (Korea Aerospace Industries (KAI)), Park Seung-hee (Samsung Electronics) e Lyu Jae-cheol (LG Electronics). Do lado do Brasil, estiveram à mesa executivos como Beto Abreu (Suzano), Francisco Gomes Neto (Embraer), Marcos Molina (MBRF), Jerry O'Callaghan (JBS) e Carla Crippa (Ambev), representando setores estratégicos como agronegócio, mineração, aeroespacial e bens de consumo.

Os grupos discutiram formas de estruturar parcerias entre as empresas e os principais desafios ainda enfrentados pelas exportações brasileiras ao mercado coreano.

Seis acordos assinados durante o fórum

Logo após a mesa-redonda empresarial, seis memorandos de entendimento foram assinados entre empresas e instituições dos dois países, ampliando a cooperação em comércio, tecnologia, saúde, agronegócio e defesa:

ApexBrasil e KOTRA — cooperação em inteligência de mercado, promoção comercial e fortalecimento de fluxos de investimento mútuo. Embrapii e KIAT (Korean Institute for Advancement of Technology) — pesquisa, inovação e tecnologias para descarbonização e inteligência artificial. FINEP e KIAT — cooperação técnica e tecnológica entre as instituições de fomento dos dois países.

Eurofarma e SK Biopharmaceuticals — colaboração estratégica em neurociências, incluindo o desenvolvimento de terapias para epilepsia, expansão do uso do cenobamato e aplicação de inteligência artificial para impulsionar a inovação em saúde. JBS e Highland Foods — parceria estratégica global de negócios para fortalecer a cooperação comercial de longo prazo, ampliar as oportunidades de mercado, promover a inovação e ampliar a presença de produtos da JBS na Coreia do Sul e em outros mercados.

Embraer e KAI (Korea Aerospace Industries) — colaboração estratégica no setor aeroespacial, dando continuidade à parceria que já resultou na venda do cargueiro militar KC-390 às Forças Armadas sul-coreanas. Oportunidades setoriais

O encontro também reforçou frentes de negócio já mapeadas pela ApexBrasil e setor produtivo desde o Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, realizado em fevereiro de 2026:

Segurança alimentar: o Brasil fornece mais de 80% do frango consumido na Coreia do Sul, é o maior fornecedor individual de café do país (até 35% do volume importado) e já alcançou 18% das importações coreanas de manga. Uva, melão, limão e carne bovina — hoje dominada por EUA e Austrália — seguem em negociação para abertura de mercado.

Energia e transição energética: com 90% da matriz energética importada, a Coreia do Sul vê no etanol e nos biocombustíveis brasileiros um caminho para a meta de neutralidade de carbono até 2050. Minerais críticos e semicondutores: o Brasil desponta como potencial fornecedor de minerais críticos para a indústria coreana de chips e semicondutores, a segunda maior do mundo.

Aeroespacial e defesa: a Embraer já vendeu o cargueiro KC-390 às Forças Armadas da Coreia do Sul, e a empresa coreana KAI fornece componentes de asa da aeronave. Cosméticos e bioinsumos: após a Missão realizada em fevereiro, a ABIHPEC desenvolveu um plano de trabalho para conectar fornecedores de bioinsumos da Amazônia a grandes empresas coreanas do setor.

Audiovisual: a indústria de conteúdo coreana representa 6% do PIB do país e exporta US$ 14 bilhões por ano, com espaço crescente para produções no Brasil.

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