
Engemon reduz R$ 1,3 milhão em custos e antecipa 1,5 mil falhas em obras com uso de BIM
Em resumo
Adoção da metodologia BIM permitiu à Engemon economizar R$ 1,3 milhão, reduzir o tempo de levantamento de quantitativos em 73% e antecipar 1,5 mil falhas antes do início das obras.
| Setor | Construção Civil |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 5 min |
Engemon reduz custos em R$ 1,3 milhão e antecipa 1,5 mil falhas em obras com uso de BIM
Engemon usa BIM para reduzir custos, retrabalho e tempo em projetos de engenharia
Metodologia reduziu em 73% o tempo de levantamento de quantitativos e alcançou precisão de aproximadamente 98% em projeto analisado pela companhia A adoção do BIM (Building Information Modeling) começa a avançar na construção brasileira, mas transformar a tecnologia em ganhos concretos de produtividade ainda é um dos desafios do setor.
Em um projeto desenvolvido pela Engemon, a aplicação da metodologia permitiu identificar aproximadamente R$ 1,3 milhão em economias diretas, antecipar cerca de 1,5 mil interferências entre diferentes disciplinas de engenharia e reduzir em 73% o tempo gasto no levantamento de quantitativos, quando comparado aos processos manuais tradicionais.
Os resultados ganham relevância diante do atual estágio de digitalização da construção brasileira. Pesquisa divulgada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em agosto de 2026, com base em 4. 164 respostas válidas da edição de 2024, mostrou que mais de 95% dos profissionais já têm familiaridade com BIM e 77,1% avaliam positivamente seus impactos.
Apesar disso, apenas 33,8% chegaram a desenvolver algum tipo de experimentação concreta com a metodologia, enquanto 56,7% ainda permanecem na etapa inicial de descoberta e aproximação. O mesmo levantamento revela que 90,6% dos profissionais relatam desvios recorrentes de prazo e orçamento nos projetos em que atuam.
Na Engemon, o BIM é aplicado para integrar informações de arquitetura, estruturas, elétrica, hidráulica e demais disciplinas antes que as soluções cheguem ao canteiro. É justamente nessa etapa que conflitos que poderiam gerar alterações, desperdícios e horas adicionais de trabalho são identificados digitalmente.
Em um dos projetos analisados pela companhia, aproximadamente R$ 900 mil em economia foram obtidos a partir da reengenharia da estrutura metálica, enquanto outros R$ 400 mil vieram da otimização do projeto de luminárias. O ganho direto correspondeu a cerca de 5,2% do valor do contrato. Considerando também ganhos indiretos relacionados a produtividade, materiais e redução de retrabalho, estimativas internas da empresa apontam que os impactos proporcionados pelo BIM podem alcançar patamares ainda maiores, dependendo das características de cada empreendimento.
Problemas resolvidos antes de chegarem ao canteiro
Um dos principais benefícios está na chamada compatibilização dos projetos. Em vez de descobrir durante a construção, por exemplo, que uma tubulação hidráulica e uma infraestrutura elétrica foram projetadas para ocupar o mesmo espaço, os modelos digitais permitem visualizar e corrigir a interferência anteriormente.
No projeto analisado pela Engemon, foram identificadas e tratadas cerca de 1,5 mil incompatibilidades ainda na etapa de projeto. Isso reduz a necessidade de interromper trabalhos no canteiro, mobilizar novamente equipes, alterar projetos já em execução ou refazer serviços.
“O verdadeiro ganho do BIM não está apenas em visualizar uma construção em três dimensões. Ele está na capacidade de tomar decisões antes que um problema chegue à obra. Quando conseguimos antecipar uma incompatibilidade, estamos evitando horas de trabalho, desperdício de materiais, alterações de cronograma e custos que surgiriam somente durante a execução”, afirma Pedro Henrique, Coordenador de Projetos da Engemon.
A metodologia também modificou a forma como a empresa trabalha com quantitativos de materiais. O levantamento, que tradicionalmente exige medições e conferências manuais, passou a ser extraído dos modelos digitais com precisão próxima de 98%, segundo os dados internos da companhia. O tempo necessário para a atividade foi reduzido em aproximadamente 73%.
BIM chega a mais de 20 obras e 700 usuários
A aplicação não fica restrita às equipes responsáveis pelos projetos. Atualmente, a Engemon possui mais de 20 obras em andamento utilizando um Ambiente Comum de Dados, conhecido pela sigla CDE, com aproximadamente 700 usuários. A estrutura permite que engenheiros, projetistas, gestores e profissionais em campo trabalhem com informações centralizadas e atualizadas.
Por tablets ou computadores, as equipes podem visualizar modelos, consultar projetos e pranchas, realizar medições e cortes e acessar dados técnicos. A centralização também diminui o risco de uma equipe executar determinado serviço utilizando uma versão desatualizada de um documento.
“A transformação digital da engenharia só gera resultado quando a tecnologia chega efetivamente às pessoas que tomam decisões e executam o projeto. Por isso, além de desenvolver modelos, é necessário integrar informações, padronizar processos e capacitar as equipes de campo para utilizar esses dados no dia a dia da obra”, acrescenta Pedro Henrique.
A formação profissional, aliás, é outro gargalo identificado pelo mercado. Segundo a pesquisa divulgada pelo Confea, 99% dos participantes apontaram necessidade de capacitação relacionada à transformação digital. Na Engemon, 11 profissionais já concluíram certificação internacional da buildingSMART e outros dez têm conclusão prevista até o fim de setembro de 2026. Mais de 30 colaboradores do departamento também passaram por treinamentos em ferramentas aplicadas ao BIM.
BIM ganha espaço também nas políticas públicas
A disseminação da metodologia também passou a fazer parte da política nacional para a construção. A Lei nº 14.133/2021 estabelece que, quando adequada ao objeto, a Modelagem da Informação da Construção deve ser preferencialmente adotada nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura.
Em 2024, o governo federal instituiu ainda a nova Estratégia BIM BR, com objetivos que incluem ampliar a difusão da metodologia, estimular a capacitação profissional, incentivar investimentos públicos e privados e fomentar seu uso na construção industrializada e sustentável.
Para a Engemon, esse avanço sinaliza uma mudança mais profunda no setor. O BIM deixa gradualmente de ser associado apenas à modelagem tridimensional para assumir uma função de gestão de informações ao longo de todo o ciclo de um empreendimento, do projeto e planejamento à execução e, futuramente, à operação e manutenção dos ativos.
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