
IA começa a mudar organogramas e cria novas funções dentro das empresas
Redação Indústria S/A
Com 92% das companhias planejando investir em inteligência artificial no marketing e 81% em vendas, desafio agora é criar equipes dedicadas à implantação, integração e governança da tecnologia
As empresas brasileiras começam a redesenhar equipes e estruturas internas para transformar os investimentos em inteligência artificial em resultados concretos. Depois da corrida pela contratação de plataformas e dos primeiros testes com ferramentas de IA, o desafio agora é definir quem será responsável por integrar a tecnologia aos processos, capacitar profissionais e acompanhar sua adoção no dia a dia.
A tendência foi discutida durante o Fórum B2B 2026, promovido pela Live University | Ibramerc, em São Paulo. Na avaliação dos especialistas que participaram do evento, a inteligência artificial deixou de ser um projeto restrito às áreas de tecnologia e passou a exigir uma atuação integrada entre diferentes departamentos.
Pesquisa inédita divulgada durante o fórum mostra que 92% das empresas pretendem investir em inteligência artificial aplicada ao marketing até o fim de 2026. Na área de vendas, 81% planejam ampliar os aportes na tecnologia.
Apesar do avanço dos investimentos, a adoção prática ainda ocorre em ritmo mais lento. A distância entre intenção e execução indica que contratar novas plataformas pode não ser suficiente para gerar ganhos de produtividade. O próximo passo deve envolver a criação de estruturas responsáveis por integrar ferramentas, revisar processos, capacitar colaboradores e acompanhar o uso das soluções.
Na avaliação de Franciane Caetano, gerente de Pós-Vendas B2B da Decolar, a inteligência artificial pode ampliar a eficiência operacional, mas não elimina a necessidade de profissionais responsáveis por garantir que a tecnologia esteja alinhada à experiência do cliente.
"A IA deve automatizar tarefas repetitivas e ajudar a ganhar escala, mas negociações, decisões estratégicas e a construção da experiência continuam dependendo das pessoas. O desafio passa a ser combinar tecnologia e olhar humano para que uma fortaleça a outra", afirma.
Para Pedro Cortonesi, Consulting Business Development Manager SAM na Schneider Electric e professor na Live, as empresas já têm acesso a ferramentas, metodologias e plataformas. O principal desafio agora é transformar esses recursos em processos capazes de melhorar a execução das operações comerciais.
"Hoje, as empresas já contam com CRM, playbooks e soluções de inteligência artificial. O desafio deixou de ser o acesso à tecnologia e passou a ser como transformar essas ferramentas em processos consistentes, capazes de gerar escala e melhores resultados nas operações de vendas", diz.
Rafael Macedo, executivo do BS2 Payments, avalia que as organizações também precisarão reduzir a dependência de conhecimentos concentrados em profissionais específicos e investir na criação de processos estruturados, capazes de incorporar novas tecnologias de forma contínua.
"O talento constrói resultados, mas o processo constrói escala. Quando o conhecimento fica concentrado nas pessoas, a empresa cria um risco. Quando ele é transformado em método, tecnologia e rotina operacional, o crescimento passa a ser sustentável", afirma.
Novas funções devem ganhar espaço
Segundo os especialistas, esse movimento deve estimular a criação de funções voltadas à implantação e à adoção da inteligência artificial dentro das empresas.
Esses profissionais deverão atuar na seleção de ferramentas, integração de sistemas, criação de fluxos de trabalho, capacitação das equipes e acompanhamento de indicadores de uso e produtividade. A função tende a operar como uma ponte entre tecnologia, operação e estratégia de negócios.
Na prática, a expansão da IA pode levar as empresas a rever não apenas as tecnologias utilizadas, mas também a divisão de responsabilidades dentro das equipes. Com isso, a capacidade de integrar ferramentas aos processos e garantir sua utilização em escala tende a se tornar tão relevante quanto o próprio investimento em inteligência artificial.
Tags:Inteligência ArtificialOrganograma corporativoNovas profissõesTransformação digitalFuturo do trabalhoGestão de pessoasMercado de trabalhoIA no ambiente corporativoTecnologia nas empresasInovação empresarial
Leia também

Setor industrial latino-americano avança na modernização da visualização para suportar operações mais conectadas

Mercur fortalece mercado de reabilitação no Brasil com parcerias globais
Robótica em evolução: avanços dos últimos 15 anos tornam robôs mais humanos e processos mais inteligentes
