
Indústria de Piracicaba busca mercado europeu para expandir exportações
Em resumo
Indústria de Piracicaba busca diversificar mercados e contornar barreiras tarifárias nos EUA, apostando no Acordo Mercosul-União Europeia para ampliar suas exportações.
| Setor | Negócios Internacionais |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 4 min |
Indústria de Piracicaba mira o mercado europeu para expandir exportações. Encontro com o Governo Federal detalha pacote de subsídios e benefícios do Acordo Mercosul-União Europeia para ampliar alcance da produção paulista a novos destinos
A necessidade de diversificar os parceiros comerciais e superar as tarifas de importação impostas pelo atual governo dos Estados Unidos esteve no centro dos debates da edição do Conexões Produtivas, realizada em Piracicaba (SP). O evento mobilizou lideranças do setor produtivo e do Governo Federal para apresentar alternativas de exportação à indústria local, especialmente no cenário de abertura do mercado europeu por meio do Acordo Mercosul - União Europeia.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e de Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi), Paulo Estevam de Camargo, destacou a urgência de apoiar o setor diante das imposições tarifárias norte-americanas, que afetaram diretamente o polo industrial da região.
“A indústria metalmecânica de nossa região viu-se diante de um cenário de grandes incertezas. O Simespi entendeu, desde o primeiro momento, que não bastava reconhecer a gravidade da situação. Era preciso agir, buscar interlocutores e construir alternativas para as nossas empresas”, ressaltou Paulo Estevam.
Impacto no "chão de fábrica" O impacto dessa barreira não é apenas teórico. Até para as indústrias da região que não exportam diretamente, mas fornecem componentes para grandes multinacionais, o efeito cascata foi imediato. Carlos Alberto Severino, diretor da área administrativa financeira da Painco Indústria e Comércio S/A, empresa de Piracicaba que fabrica produtos de alto valor agregado, como caçambas e braços para carregadeiras, atendendo gigantes como Caterpillar, Komatsu, Volvo, CNH e Alstom, explica a situação.
"No caso do fornecimento à Volvo, a produção de caminhões fora de estrada foi muito afetada pelo aumento tarifário. Então caíram as exportações da Volvo e, consequentemente, caiu a nossa produção", relatou, ilustrando como as tarifas afetam a cadeia produtiva brasileira, mesmo para empresas que só exportam indiretamente.
Ele destaca a importância de eventos como o Conexões Produtivas para a identificação de novas oportunidades. "Nós ainda não temos exportação direta, mas temos um caso particular de fornecimento para a Alstom, que exporta diretamente para os Estados Unidos e para o Canadá, mas é uma empresa francesa", pontuou o diretor, ressaltando que o mercado europeu pode abrir novas alternativas para a expansão da empresa.
O peso de Piracicaba Apesar dos obstáculos no mercado norte-americano, o Brasil vive um momento histórico no comércio exterior. O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, apresentou dados recentes, revelando que o país já exportou US$ 285 bilhões de janeiro a setembro, um acréscimo de US$ 27 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.
“A macrorregião de Piracicaba é uma peça-chave nesse desempenho, sendo um dos maiores exportadores do Estado de São Paulo. O município exportou mais de US$ 2,8 bilhões recentemente, dos quais US$ 2 bilhões foram concentrados no setor de máquinas e equipamentos”, destaca. "As grandes oportunidades nem sempre surgem em tempos de tranquilidade", ponderou Laudemir Müller, detalhando o pacote de suporte e qualificação da agência para os empresários locais.
“ A ApexBrasil pode ressarcir em até 40 mil reais o custo que a empresa tem de adaptação do seu produto, de certificação do seu produto para encontrar um novo mercado. Para as empresas afetadas pelo tarifaço, nós estamos fazendo isso com 100% de subsídio. A empresa vai para uma feira internacional com tudo pronto, com o estande montado para negociar com um comprador de um país diferente. Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil
Aposta na Europa e na Ásia Para compensar o recuo nas vendas aos Estados Unidos — que registraram uma queda de US$ 1,9 bilhão —, o Governo Federal tem focado na abertura de novas fronteiras comerciais. A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, destacou o avanço nas negociações internacionais como principal ferramenta de competitividade.
“O governo brasileiro tem trabalhado para expandir a rede de acordos comerciais que beneficiam o exportador brasileiro. Nesses últimos três anos, houve a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, Singapura e EFTA, que inclui a Suíça e a Noruega. Esses acordos já estão produzindo efeitos importantes”, explicou a secretária.
Apenas com a entrada em vigor das novas regras com o bloco europeu, mais de 5.000 produtos brasileiros terão a tarifa de importação zerada, garantindo acesso preferencial inédito àquele mercado. A estratégia de diversificação já mostra resultados na balança comercial: enquanto o mercado americano recuou, as exportações brasileiras cresceram de forma expressiva para outros destinos, somando ganhos de US$ 7,4 bilhões na Europa, US$ 9 bilhões na China e quase US$ 4 bilhões na Índia.
Leia também
Cambraper reforça agenda de integração binacional em reunião com associados

Exportações para o Paraguai crescem com alta demanda por veículos, máquinas e fertilizantes

Exportações brasileiras ao Canadá batem recorde histórico de US$ 5,7 bilhões até setembro
