
Indústria têxtil reduz custos e tempo de produção com tecnologia no chão de fábrica
Em resumo
Levantamento aponta economia de até R$ 15 mil mensais e redução de 99% no tempo de relaxamento de malha em fábricas têxteis que adotaram processos de automação e digitalização.
| Setor | Têxtil |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 4 min |
Fábricas têxteis cortam custo e tempo de produção com tecnologia aplicada ao chão de fábrica Levantamento interno da Delta Máquinas Têxteis mostra queda de até 99% no tempo de relaxamento de malha e economia de R$ 15 mil por mês em uma única operação
Com mais de 25,3 mil unidades produtivas formais, segundo a Abit, a indústria têxtil brasileira convive com concorrência intensa, e a tecnologia aplicada ao chão de fábrica se firma como um dos caminhos para gastar menos e produzir com mais consistência. Um levantamento interno da Delta Máquinas Têxteis com clientes que adotaram suas soluções registra economia de até R$ 15 mil por mês em uma única operação e redução de até 99% no tempo de etapas como o relaxamento de malha.
As empresas do setor estão transformando rotinas manuais e descentralizadas em processos mais ágeis, padronizados e conectados. A digitalização e a integração de dados já alcançam desde os testes e a revisão de tecidos até o corte, a embalagem e o controle de qualidade. Equipamentos inteligentes permitem responder com rapidez às janelas de mercado, cortar custos e ganhar escala, e a operação fica mais sustentável como consequência.
O movimento acompanha o avanço do mercado de automação industrial no país, avaliado em US$ 11,1 bilhões em 2025 e com projeção de US$ 18,2 bilhões em 2034, segundo a Abit e a consultoria IMARC. No dia a dia das indústrias têxteis, a mudança aparece em cada elo da produção. Processos manuais e repetitivos dão lugar a rotinas integradas, a revisão até então sem registro passa a alimentar o sistema de gestão, e as devoluções frequentes cedem espaço a mais controle de qualidade. A dependência de intervenção humana diminui ao passo que a produção ganha agilidade e previsibilidade.
O levantamento da Delta mostra o que isso significa em números, e o primeiro efeito é o tempo. Testes de laboratório que consumiam de três a quatro horas passaram a ser concluídos em cerca de 15 minutos, uma redução de 95%. O relaxamento de malha, que levava de 48 a 72 horas, agora leva de cinco a dez minutos, queda de 99%. Na embalagem, o processo passou a movimentar 240 rolos por hora de forma autônoma, com redução de 80% no tempo operacional.
"O ganho de tempo é o que chama atenção, mas o que pesa na conta do industrial é o efeito em cadeia. Teste mais rápido gasta menos malha, menos água e menos energia, e a revisão feita com dados evita que o erro vire devolução. A economia aparece no fim do mês, em vários pontos da operação ao mesmo tempo", explica Fábio Kreutzfeld, CEO da Delta Máquinas Têxteis.
Como afirma o executivo, a redução de desperdícios e custos vem na sequência. O consumo de matéria-prima nos testes caiu até 75%, o que equivale, em uma das operações, a 660 quilos de malha poupados por mês. “Além desse exemplo, temos vários outros. Nos ensaios de encolhimento e nos testes de laboratório, o uso de água diminuiu até 80% para a maioria dos que passaram a adotar a Lavadora de Amostras; em outra estrutura, o consumo de energia elétrica recuou 12% depois da adoção da tecnologia nessa etapa”, conta.
Outro fator que pesa positivamente ao adotar a automação nos processos fabris têxteis é o remanejamento do capital humano para frentes mais estratégicas. Segundo o levantamento da corporação, a necessidade de equipe nos processos caiu entre 30% e 50%, com casos em que a embalagem passou a exigir metade da mão de obra, e o relaxamento, sete profissionais em vez de dez.
O terceiro eixo é a qualidade. Nas fábricas em que revisão, relaxamento e testes passaram a operar com apoio de tecnologia, os custos de não qualidade caíram 50%. Onde a revisão, a embalagem e a integração de dados foram conectadas, as devoluções de rolos recuaram 80% e as perdas de produção, 1,5%. A embalagem, que tinha seis etapas manuais, deixou de registrar erros. A inspeção passou a cobrir 100% dos rolos antes da transformação, com medição automática de até quatro variáveis: largura, gramatura, metragem e rendimento.
Para Kreutzfeld, o peso desses números está na origem. "Quem precisa justificar internamente um investimento em tecnologia têxtil precisa de dado medido na fábrica, não de projeção. Otimizar recursos é uma decisão que se apoia em evidência, e esses resultados vêm de quem já fez a transição e acompanha o retorno mês a mês", afirma.
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