Sem crédito inteligente, não há indústria do futuro
Com o fortalecimento do crédito público, o Brasil tem uma oportunidade de retomar sua vocação industrial, impulsionar a inovação e posicionar-se de forma competitiva no cenário global
Por Ivana Béber, Head of Funding for Innovation & Partner da Gröwn (antiga GT Group)
A indústria brasileira vive um momento decisivo. Depois de anos de retração, o país volta a apostar no setor como alicerce para o crescimento sustentável. No centro dessa retomada está o fortalecimento do crédito público como instrumento estratégico para a ampliação da capacidade produtiva, modernização de processos, instalação de novas plantas, ampliação de inovação e outros investimentos estruturantes que permitam ao setor crescer de forma planejada e competitiva.
Mais do que uma alternativa de financiamento, o crédito público é uma alavanca para que empresas possam investir com menor custo, prazos mais longos e previsibilidade, essenciais em um contexto de elevação de juros (com previsão de a taxa Selic atingir 15% até o final de 2025) e um cenário global de incertezas. A escolha por esse caminho é, cada vez mais, uma decisão estratégica e de sobrevivência.
Transições exigem investimentos
Vivemos uma transição tecnológica na indústria. A produtividade precisa crescer, e as soluções para isso já existem: automação e digitalização de processos. No entanto, inovar exige investimento e neste ponto o crédito público se torna uma ferramenta estratégica para viabilizar esse avanço, com condições mais acessíveis e sustentáveis para as companhias.
Os fatos são incontestáveis. Entre 2014 e 2024, o saldo das operações de crédito para pessoas jurídicas cresceu 56%, saltando de R$ 1,6 trilhão para R$ 2,5 trilhões, segundo informações do Banco Central. Esse dado confirma uma tendência: as empresas estão buscando capital de longo prazo porque entenderam que inovar é necessário e dá retorno.
É nesse contexto que está inserido o programa Nova Indústria Brasil. Trata-se de uma janela estratégica para impulsionar o crescimento do setor. São R$ 506,7 bilhões mobilizados por bancos públicos e agências de fomento como BNDES, Finep e Embrapii, segundo anúncio feito pelo MDCI, para projetos conectados a seis grandes missões: descarbonização, digitalização industrial, agroindústria, saúde, bioeconomia e infraestrutura urbana.
Somente o BNDES é responsável por 61% do total de crédito público, e vem retomando seu protagonismo com foco em setores e temas prioritários para o país. Em dois anos, o crédito voltado à indústria cresceu 262%, saindo de R$ 98 bilhões, em 2022, para R$ 148 bilhões em 2024.
Por trás da captação e o que as empresas estão buscando
O movimento de captação está se intensificando em setores estratégicos. Só em 2024, as indústrias de veículos e alimentícia concentraram 45% dos recursos desembolsados pelo BNDES, seguidas pelos setores mecânico (+117%), papel e celulose (+80%) e extrativista (+46%).
Esse cenário reflete a diversidade de aplicações possíveis para o crédito público. Ele tem sido destinado, principalmente, à ampliação da capacidade produtiva e à modernização de processos, mas também pode ser utilizado para a instalação de novas unidades fabris, aquisição de equipamentos, reposição de ativos produtivos, aumento da capacidade operacional e atendimento a novas demandas de mercado. Essa versatilidade o transforma em uma ferramenta essencial para empresas que têm planos estruturados de expansão dos negócios, reconfiguração de processos ou consolidação em novos territórios.
E para aproveitar essa versatilidade com sucesso, é preciso mais que boas intenções. O acesso ao crédito exige preparo, estratégia e clareza de propósito. A organização que estrutura bem seu projeto e demonstra retorno, seja via eficiência, sustentabilidade e capacidade exportadora tem grandes chances de aprovação.
Mas essa jornada começa dentro da própria empresa, com um olhar estratégico voltado para o futuro. Antes de buscar qualquer linha de crédito público, é fundamental que a organização tenha clareza sobre sua visão de crescimento. Perguntas essenciais precisam ser respondidas:
- Onde estão as melhores oportunidades de crescimento?
- Quais processos precisam ser modernizados?
- Quais ganhos operacionais ou impacto espera se obter?
- Qual será o retorno do investimento?
Esse diagnóstico interno é o ponto de partida para transformar intenções em projetos viáveis. Na sequência, é necessário estruturar um projeto robusto, com definição de escopo do projeto, detalhamento dos investimentos, preparar um cronograma de execução, verificar a viabilidade econômica (payback e ROI) e investigar a conexão do projeto planejado com as linhas de crédito disponíveis, que são muitas e para diversas finalidades. Existem linhas para aquisição de máquinas e equipamentos, para exportar, para inovação, para ampliação e modernização, para investimentos em geral, assim como para capital de giro.
Para aumentar as chances de elegibilidade e avançar com segurança nesse processo, o apoio de consultorias especializadas faz toda a diferença. Mais do que conhecimento técnico, esses parceiros atuam como pontes entre a visão estratégica da empresa e os requisitos exigidos pelos bancos públicos.
A hora de agir é agora
Como vimos, o crédito público não é apenas uma oportunidade: é uma alavanca poderosa para transformar a indústria brasileira. Em um cenário de competição global acirrada e demandas urgentes por inovação e sustentabilidade, as empresas que se anteciparem e estruturarem seus projetos adequadamente terão uma vantagem concreta.
O momento de agir é agora. Porque modernizar não é mais uma opção. É uma necessidade.
Sobre a Gröwnt: Gröwnt é uma empresa especialista em inovação, certificada pela ISO 56.002, que impulsiona o crescimento de organizações ao integrar consultoria estratégica, tecnologia de ponta e um framework exclusivo que potencializa todas as etapas do processo inovador. Desde 2009, nossa metodologia própria – que inclui diferenciais competitivos como o Score de Disrupção em Inovação (SDI) patenteado e uma equipe multidisciplinar altamente especializada – garante a captação de recursos, o incentivo fiscal e a rentabilização dos investimentos em digitalização, expansão tecnológica e inovação. Presente em países da América Latina e Europa, acompanhamos nossos clientes de ponta a ponta na jornada da transformação, convertendo desafios em oportunidades de crescimento sustentável.


