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Seminário da ANE debate escassez de engenheiros e gargalos na infraestrutura nacional
Engenharia e Tecnologia

Seminário da ANE debate escassez de engenheiros e gargalos na infraestrutura nacional

Redação Indústria S/A6 min de leitura

Em resumo

Em seminário na FIESC, lideranças da indústria, academia e governo debateram soluções para a escassez de profissionais qualificados em engenharia e os riscos ao setor produtivo e de infraestrutura no Brasil.

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AutoriaRedação Indústria S/A
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Seminário da ANE debate gargalo de talentos e projeta agenda estratégica da engenharia para o próximo ciclo de governo Alerta do BNDES sobre risco de apagão técnico em obras de infraestrutura pautou discussões em Florianópolis; lideranças industriais, acadêmicas e políticas defendem união nacional em torno da valorização profissional A escassez de profissionais qualificados pode se tornar o principal gargalo para a execução de projetos estruturantes no Brasil, conforme diagnóstico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aponta o planejamento de longo prazo como caminho urgente para preparar o setor produtivo.

Diante desse cenário de retomada dos investimentos, o Seminário ANE 2026 — "O Futuro da Engenharia no Brasil", sediado no Auditório Milton Fett da FIESC, em Florianópolis, debateu ações práticas capazes de orientar currículos universitários, políticas industriais e planos governamentais para os próximos quatro anos. O encontro reúne academia, indústria, poder público e estudantes para combater a evasão nas universidades e traçar metas de soberania tecnológica para o país.

A necessidade de uma postura unificada em defesa da engenharia nacional conduziu os discursos das principais autoridades presentes. Representando o governador Jorginho Mello, o Secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços de Santa Catarina, Leodegar Tiscoski, destacou o papel indispensável da profissão na prevenção e resolução de desastres climáticos.

Tiscoski enfatizou também o fortalecimento da formação profissional por meio do programa Universidade para Todos, sinalizando a meta de reservar um percentual dos recursos diretamente para cursos de engenharia, garantindo sustentabilidade e excelência ao ensino superior catarinense. A importância histórica e a capacidade de superação da categoria também foram ressaltadas pelo ex-ministro de Minas e Energia e acadêmico da ANE, Márcio Zimmermann, que resgatou a memória técnica do país para demonstrar o peso das decisões de Estado: "Na década de 70 não tínhamos grandes interligações e, desde então, ergueu-se a base energética nacional. O Brasil se tornou referência mundial na operação de grandes sistemas porque a engenharia brasileira encontrou saídas técnicas próprias."

O Futuro da Engenharia no Brasil No painel central "O Futuro da Engenharia no Brasil", o presidente da ANE e moderador da mesa, Mário Menel, pontuou ações práticas que a entidade vem desenvolvendo para reverter a desmobilização das carreiras técnicas, como o programa de visitas que leva estudantes do ensino secundário do Rio de Janeiro à COP e a criação do grupo "Nós da ANE", dedicado a impulsionar o protagonismo feminino na profissão.

"Coroamos este ciclo de trabalho com o seminário na FIESC justamente para consolidar propostas que integrem a produção científica às demandas urgentes do setor produtivo e das políticas públicas", afirmou. O presidente da Embrapii e acadêmico da ANE, Alvaro Prata, advertiu para o descompasso entre as fábricas e a sociedade civil e cobrou foco estratégico para o próximo quadriênio.

"Temos uma indústria que necessita de competitividade real para crescer, inovar e fazer diferente. Há um distanciamento perceptível entre a atividade fabril e a sociedade brasileira, que precisa enxergar a indústria como a grande promotora do desenvolvimento socioeconômico", ressaltou, apontando a urgência de transformar vantagens comparativas em vantagens competitivas em setores críticos, a exemplo dos minerais estratégicos.

Diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI e professor do ITA, Jefferson Gomes defendeu a formação integral dos novos profissionais, alertando que a preparação técnica precisa caminhar lado a lado com as competências relacionais. Para ele, a introdução de inteligência artificial ou a liderança na transição sustentável exigem tanto solidez técnica aplicada quanto habilidade de convivência e articulação humana.

O presidente do Conselho da Abraceel e ex-deputado federal, José Carlos Aleluia, fez uma reflexão contundente sobre o afastamento dos engenheiros das esferas decisórias de poder e da vida pública, citando a motivação do modelo chinês. "A engenharia exige paixão e propósito. Precisamos assegurar que ela sobreviva com vigor dentro das universidades e volte a ocupar postos-chave na administração direta, pois o futuro da soberania reside na formação humana."

Trazendo a perspectiva da academia, o reitor da UFSC, Amir Antônio Júnior, sustentou que o ecossistema universitário é o motor regional de riqueza — a exemplo do impacto nos polos de Florianópolis e São José dos Campos — e frisou que o financiamento público corresponde a cerca de 80% do custeio das melhores instituições globais, configurando uma salvaguarda indispensável para a autonomia científica e o combate à evasão de estudantes.

Em sintonia com a visão corporativa, o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, salientou que o profissional contemporâneo não pode apenas perguntar se algo funciona, mas para quem funciona: "O conhecimento técnico é o ponto de partida, mas a liderança de pessoas e a geração de impacto social são o verdadeiro ponto de chegada."

Esses eixos estratégicos para o desenvolvimento nacional — que incluíram a adoção intensiva de inteligência artificial e robótica fabril, o domínio sobre terras raras e a transição energética — pautaram os demais debates ao longo desta quinta-feira (05). A programação contou ainda com mesas especializadas sobre produtividade industrial, os diálogos intergeracionais do programa "Nós da ANE" a respeito da inteligência feminina nas exatas e os desafios de soberania e mineração em torno dos minerais críticos.

Programação de sexta-feira (06) e transmissão ao vivo Os trabalhos do Seminário ANE 2026 continuam nesta sexta-feira (06), a partir da manhã, no Auditório Milton Fett da FIESC. O público em geral e a comunidade acadêmica que não realizaram credenciamento presencial podem acompanhar todas as plenárias ao vivo pelo canal oficial da Academia Nacional de Engenharia no YouTube pelo link: https://www.

youtube. com/live/7ofNi50rlyk? si=0pTeVIMXWVv_QxML Um dos destaques será a mesa "Formação dos Engenheiros e Engenheiras do Futuro", sob a moderação do professor Sérgio Gargioni. O painel colocará em pauta soluções emergenciais contra o abandono dos cursos superiores com a participação de José Roberto Boisson, coordenador do Comitê de Ensino da ANE, Adriana Maria Tonini, presidente da ABENGE, e do acadêmico Emílio Matsuo, que detalhará casos concretos e metodologias pedagógicas bem-sucedidas.

A programação temática do dia abrange ainda debates de ponta sobre biofertilizantes e agroindústria, os dilemas regulatórios e técnicos da matriz elétrica brasileira, o projeto Embaixadores da ANE com Flávio Grynszpan, a continuidade das ações institucionais com Carlos Alberto Schneider e o lançamento da iniciativa EngenhAção em parceria com o Grupo ND, culminando no posicionamento oficial da ANE.

O Seminário ANE 2026 é uma realização da Academia Nacional de Engenharia (ANE), com organização da Movant Eventos e parceria de mídia do Grupo ND. O evento conta com o patrocínio de CREA-SC, FIESC, UNISENAI, ENGIE, Prefeitura de Florianópolis, Teltec Solutions, Ailos Cooperativa Unilos, Statkraft e Hurbana. A iniciativa tem o apoio governamental do Governo do Estado de Santa Catarina e o apoio institucional de diversas entidades: ACATE, ACE, CERTI, Clube de Engenharia do Brasil, EPAGRI, FEESC, FAPESC, IFSC, Mútua, Rede de Inovação de Florianópolis, UDESC e UFSC CTC.

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