
Setor de HVAC fatura R$ 50 bilhões no Brasil e adota manutenção preditiva com painéis conectados
O setor de HVAC no Brasil, com faturamento de R$ 50 bilhões, está migrando para a manutenção preditiva. Painéis elétricos conectados monitoram continuamente e alertam sobre possíveis falhas, garantindo a confiabilidade dos sistemas de climatização.
Setor de HVAC fatura R$ 50 bi no Brasil e migra para manutenção preditiva com painéis conectados
Monitoramento contínuo chega ao HVAC e painéis elétricos agora registram condições internas e alertam possíveis falhas Quando a climatização falha, o problema vai muito além da temperatura. Em um aeroporto, por exemplo, não significa apenas desconforto: afeta o fluxo de passageiros, a operação de lojas, sistemas sensíveis e até protocolos de segurança. Em hospitais, pode comprometer ambientes controlados. Já em shoppings, reduz a permanência do público e, em indústrias, interrompe processos inteiros.
O crescimento do mercado de HVAC - Heating, Ventilation and Air Conditioning (a sigla para aquecimento, ventilação e ar-condicionado) reflete uma mudança importante no papel da climatização. Responsável por garantir conforto térmico, qualidade do ar e controle de temperatura em hospitais, indústrias, shoppings, aeroportos, edifícios corporativos, data centers e centros logísticos, ela passou a ser considerada uma infraestrutura crítica que não admite improviso.
Esse movimento acompanha o crescimento de obras complexas, retrofit de edifícios e demais operações que exigem controle térmico contínuo.
"Qualquer falha em projetos de climatização pode impactar diretamente a experiência do usuário, a segurança e até a produtividade de empresas inteiras", destaca o engenheiro eletricista Fábio Amaral, CEO da Engerey Painéis Elétricos.Fábio Amaral, CEO da Engerey Painéis Elétricos
Segundo o especialista, um projeto de HVAC não falha apenas por causa da máquina. Falha quando há um dimensionamento inadequado, falta de proteção ou divergência entre operação e projeto. Um disjuntor mal especificado, um cabo fora do padrão ou um painel mal construído são suficientes para provocar desligamentos em cascata.
“Existe uma tendência de olhar para o HVAC como equipamento, quando, na prática, ele é um sistema elétrico complexo. Se essa base não estiver bem dimensionada, o risco operacional aumenta muito”, afirma Amaral.
A resposta do mercado tem sido elevar o padrão de confiabilidade, e isso passa pelos chamados painéis certificados. Diferentemente de soluções montadas sem validação completa, esses equipamentos atendem à ABNT NBR IEC 61439, norma que define os requisitos de segurança, desempenho e ensaios para painéis elétricos de baixa tensão, assegurando que o conjunto foi validado para operar com confiabilidade nas condições previstas de uso.
Mas, segundo Amaral, nos projetos mais recentes de HVAC, porém, a exigência já não é apenas que o sistema funcione, mas que ele seja monitorado em tempo real. É aí que entram os painéis certificados conectados.
Ele explica que os painéis conectados ampliam o papel da infraestrutura elétrica. O que antes era apenas um ponto de distribuição de energia passa a atuar como uma camada de monitoramento contínuo, fornecendo dados sobre o comportamento elétrico do painel, como corrente, temperatura, eventos de disparo e outras condições operacionais.
No caso do PrismaSet, da Schneider Electric, essa lógica é aplicada com sensores e conectividade embarcada que permitem acompanhar, remotamente, variáveis críticas do painel elétrico. Isso inclui temperatura, corrente, eventos de disparo e condições anormais de operação.
"Uma falha deixa de ser descoberta apenas depois que acontece e passa a ser identificada ainda em estágio inicial, permitindo uma intervenção antes da interrupção do sistema de climatização", explica o engenheiro eletricista.
Outro avanço é a rastreabilidade das ocorrências. O painel conectado registra eventos, indicando quando e por que um disjuntor atuou reduzindo o tempo de diagnóstico.
“Quando você tem visibilidade do que está acontecendo no painel, é possível agir antes da falha. Isso muda completamente a lógica da manutenção em HVAC: em vez de atuar de forma corretiva, após a quebra, ou preventiva, baseada em prazos fixos, a operação passa a ser preditiva, orientada por dados em tempo real”, diz o CEO da Engerey.
Desse modo, os dados gerados pelos painéis conectados permitem um novo nível de gestão e continuidade operacional. Em vez de seguir cronogramas fixos ou reagir a falhas, as equipes passam a atuar com base na condição real de uso, priorizando intervenções onde há maior risco.
E isso é especialmente necessário em um mercado que não para de crescer. Segundo estimativas de consultorias internacionais, como a Mordor Intelligence, o mercado global de HVAC deve aumentar a taxas anuais superiores a 6% até o fim da década. No Brasil, o setor faturou R$ 50,15 bilhões em 2025 e deve alcançar R$ 55,62 bilhões em 2026, segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA).
O segmento de instalação e manutenção, diretamente ligado à confiabilidade operacional dos sistemas, foi o que mais registrou alta no último ano, com avanço de 20,7%, e tem expectativa de expandir outros 19,8% em 2026.
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