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Superior amplia fornecimento de rolos de poliuretano para transportadores de correia

Superior amplia fornecimento de rolos de poliuretano para transportadores de correia

Comparados aos rolos de borracha, os de poliuretano possuem maior resistência à abrasão e vida útil em pontos críticos de transportadores utilizados na mineração e em operações portuárias

 

Superior Industries do Brasil, fabricante global de equipamentos para processamento e movimentação de materiais a granel, está ampliando o fornecimento de rolos revestidos com poliuretano (PU) antichamas para transportadores de correia. A solução é desenvolvida especificamente para aplicações em pontos onde os revestimentos convencionais de borracha apresentam desgaste acelerado, principalmente em ambientes com elevada abrasividade ou acúmulo de material.

De acordo com Rodrigo Trotta, gerente de contas da Superior Industries do Brasil, o uso do poliuretano não tem como objetivo substituir integralmente os rolos revestidos de borracha, mas sim atender a pontos críticos do sistema de transporte, onde a resistência mecânica e à abrasão são fatores determinantes para a confiabilidade operacional. “O poliuretano possui uma resistência à abrasão significativamente maior que a borracha. Por isso ele é indicado para locais onde há grande presença de material acumulado ou maior tensão mecânica sobre os rolos”, explica.

Os rolos de poliuretano são especialmente indicados para pontos do transportador onde o contato com material abrasivo é mais intenso ou onde a geometria do sistema gera maior esforço sobre os componentes. Entre as aplicações típicas estão os pontos próximos ao solo, onde ocorre acúmulo de material no retorno da correia; locais de transição e rolos tensores; curvas de transportadores com maior esforço mecânico; sistemas com viradores de correia; e transportadores instalados em túneis ou locais com difícil acesso para manutenção.

Segundo Trotta, nessas situações, o poliuretano apresenta melhor desempenho porque possui maior dureza e resistência ao desgaste por lixamento em comparação à borracha. “O poliuretano tem uma resistência mecânica muito maior. Em ambientes de alta abrasão ou grande concentração de material, ele consegue manter a integridade do revestimento por mais tempo”, afirma.

Vida útil ampliada e melhor custo-benefício

Embora o revestimento em poliuretano tenha custo inicial superior ao da borracha, a durabilidade maior pode gerar ganhos econômicos importantes ao longo do tempo. Nos rolos revestidos com borracha, quando o revestimento se desgasta rapidamente, todo o conjunto — incluindo tubo e rolamentos — acaba sendo substituído. Já o poliuretano pode ampliar significativamente o período de operação do rolo.

“A adoção de um revestimento com maior durabilidade contribui para ampliar a vida útil do conjunto, gerando mais eficiência na operação e aproveitamento dos rolamentos, tubo e estrutura do rolo”, compara Trotta. Em aplicações críticas, como sistemas de embarque em terminais portuários ou transportadores de difícil acesso, essa maior durabilidade também reduz paradas de manutenção.

Em operações de embarque de minério, por exemplo, a parada de um transportador pode interromper o carregamento de navios, gerando custos elevados de demurrage, que é a taxa cobrada por armadores quando uma carga permanece no terminal portuário por mais tempo que o acordado. “Nesses casos não é um ponto onde se pode economizar no componente. A confiabilidade do sistema é fundamental”, ressalta.

Uso estratégico ao longo do transportador

Na maioria das instalações, os rolos de poliuretano são utilizados apenas em trechos específicos do transportador. Um exemplo comum ocorre em transportadores instalados próximos ao solo. Quando o material transportado cai ou se acumula no retorno da correia, os primeiros rolos acabam sofrendo desgaste intenso.

Nesses casos, apenas os primeiros rolos podem receber revestimento em poliuretano, enquanto os demais permanecem com revestimento em borracha. “Podemos aplicar poliuretano nos quatro ou cinco primeiros rolos de retorno, onde há maior contato com material acumulado. Depois que o transportador se eleva, os rolos convencionais de borracha continuam sendo perfeitamente adequados”, explica Trotta. A mesma lógica vale para curvas do transportador ou pontos de maior tensão mecânica.

Apesar das vantagens em resistência à abrasão, é importante acrescentar que o revestimento em poliuretano possui menor capacidade de absorção de impacto em comparação à borracha. Por esse motivo, o revestimento não é indicado para locais onde ocorre queda de grandes “matacos” – se não há absorção pelos rolos, o impacto acaba sendo transferido para o conjunto metálico do rolo, para a própria estrutura do transportador e principalmente para a correia, gerando risco de falha estrutural e desgaste prematuro da correia.

Entretanto, pode ser utilizado em aplicações com materiais finos ou em situações de menor altura de queda, onde o impacto não é significativo. “Não é um material para todas as aplicações. É uma solução técnica para situações específicas onde a abrasão e a tensão mecânica são os fatores predominantes”, explica Trotta.

Produção nacional e desenvolvimento próprio

A produção dos rolos de poliuretano marcou uma evolução na estrutura industrial da Superior no Brasil. A empresa desenvolveu o composto de PU, aprovado em testes laboratoriais e normas técnicas internacionais. Segundo Trotta, a fábrica que já produzia rolos com revestimento de borracha vulcanizada em autoclave, passou a operar também como uma unidade de transformação de polímeros.

“Já tínhamos toda a estrutura industrial para vulcanização e fabricação dos rolos revestidos com borracha. Ampliamos a capacidade da planta, que deixou de ser apenas uma fábrica de borracha para se tornar também uma fábrica de polímeros”, afirma.

Outro aspecto relevante para aplicações industriais é a segurança contra incêndio. Tanto os revestimentos de borracha quanto os de poliuretano utilizados pela empresa atendem às exigências de resistência à chama. O composto possui classificação UL94 V-0, uma norma internacional que avalia o comportamento do material quando exposto ao fogo.

“Na classificação V-0, quando a fonte de calor é retirada, a chama precisa se extinguir em, no máximo, dez segundos. Isso garante um nível elevado de segurança para aplicações industriais”, explica Trotta.

A principal demanda pelos rolos de poliuretano tende a vir da mineração pesada, onde o transporte de materiais altamente abrasivos impõe desafios constantes aos sistemas de correias transportadoras. Minérios, em especial, apresentam abrasividade muito superior à de produtos agrícolas ou granéis leves. “Na mineração, a exigência mecânica é muito maior. O minério é extremamente abrasivo e os pontos de acúmulo de material são comuns. Por isso a aplicação do poliuretano faz muito sentido nesse tipo de operação”, afirma.

No setor portuário e em terminais de granéis sólidos, o uso também pode ocorrer, mas depende da análise da abrasividade do material transportado e da relação custo-benefício da aplicação.

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