
Tecnologia de mapas de calor agora mapeia movimentação de trabalhadores na indústria
Em resumo
Tecnologia de mapas de calor, comum no futebol e no varejo, passa a ser utilizada na indústria para mapear a movimentação coletiva de trabalhadores e otimizar processos operacionais em grandes obras.
| Setor | Tecnologia Industrial |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 5 min |
A mesma tecnologia que analisa jogadas de futebol agora mapeia trabalhadores na indústria
Mapas de calor, conhecidos do futebol e do comércio eletrônico, começam a ser usados para identificar padrões de circulação em grandes obras e operações industriais
No futebol, o mapa de calor, uma representação visual que usa cores para mostrar onde algo ocorre com maior ou menor frequência, mostra em quais regiões do campo os jogadores mais atuaram durante a partida. Em outras áreas, o mesmo princípio é utilizado para analisar desde a concentração de doenças em determinadas regiões até o comportamento de consumidores em sites, ajudando a identificar os pontos de uma página que mais recebem cliques ou mesmo onde o usuário interrompe a navegação.
Na indústria, essa tecnologia também é utilizada para analisar como os trabalhadores se distribuem e se movimentam pelo espaço de trabalho. Essa leitura permite identificar gargalos que passam despercebidos na rotina, entender o que provoca deslocamentos desnecessários e por que equipes se concentram em determinadas áreas, além de avaliar como mudanças na organização do trabalho podem tornar a operação mais eficiente.
"Na indústria, mapas de calor já são utilizados, por exemplo, para monitorar temperaturas de máquinas, identificar pontos de aquecimento, acompanhar indicadores de produção e visualizar a ocupação de áreas. A novidade é usar dados de localização dos trabalhadores para analisar a movimentação coletiva das equipes em canteiros de obras e projetos industriais", explica Tulio Cerviño, CEO Latam e VP Global de Operações Industriais da TRACKFY | WAKECAP, empresa brasileira que desenvolve tecnologias de monitoramento para a indústria.
Na companhia, a ideia surgiu de uma necessidade apresentada por um cliente durante uma reunião de acompanhamento de contrato: compreender a movimentação das equipes de forma coletiva. “O cliente precisava entender como grupos de trabalhadores se movimentavam dentro de determinadas regiões, e não apenas acompanhar o trajeto de cada pessoa”, conta Cerviño.
A partir daí, a empresa desenvolveu o Mapa de Calor para a indústria com uma funcionalidade que transforma dados de localização em uma representação visual da movimentação dos trabalhadores. Ao cruzar os dados de localização, a ferramenta permite acompanhar a dinâmica das equipes ao longo do tempo e perceber situações que merecem uma análise mais detalhada.
“Quando você olha cada trabalhador separadamente, consegue entender o percurso que ele fez. Mas algumas questões só aparecem quando você coloca os movimentos juntos. Aí começa a ficar claro onde existe uma concentração, um deslocamento recorrente ou um comportamento diferente do esperado”, afirma Cerviño.
“A concentração de pessoas não explica sozinha o motivo, mas indica um ponto que merece ser investigado. A partir daí, o gestor pode cruzar essa informação com a programação, com os processos e com a realidade do campo”, completa.
A solução pode ser especialmente útil em projetos de CAPEX, que envolvem investimentos na construção, ampliação ou modernização de instalações industriais, e em grandes paradas de produção para manutenção.
“Essas operações mobilizam muitos profissionais, com funções distintas e atividades distribuídas por diferentes áreas. Ao analisar a movimentação das equipes, os gestores podem identificar pontos de concentração, deslocamentos frequentes e situações em que a organização do espaço não corresponde às necessidades reais do trabalho”, explica o executivo.
Cerviño conta que um dos primeiros casos identificados pela empresa envolveu o almoxarifado. “A equipe percebeu que os trabalhadores permaneciam mais tempo do que o esperado no local e foi investigar a causa. Descobriu-se então que eles precisavam voltar várias vezes para buscar materiais necessários à execução das atividades. Após a análise do time de Customer Success em conjunto com o cliente, foram criados pequenos almoxarifados em outros pontos do projeto, facilitando o acesso aos materiais e reduzindo os deslocamentos.”
Em outro contrato, a equipe percebeu que profissionais de uma determinada função se concentravam com frequência em um canteiro avançado. Ao investigar a situação, foi identificado que a liberação das permissões de trabalho estava demorando mais do que o previsto. Com isso, a programação das atividades dos dias seguintes foi revista para agilizar o processo de liberação.
Em alguns projetos, a disposição física do canteiro não acompanha as mudanças na execução das atividades. Estoques distantes, pontos de apoio mal posicionados ou áreas de trabalho pouco acessíveis podem comprometer o andamento das equipes.
“Essas informações ajudam a identificar oportunidades de melhoria na organização do canteiro. Em alguns casos, basta reposicionar um estoque ou redistribuir recursos. Em outros, pode ser necessário rever a sequência das atividades ou a localização dos pontos de apoio. O objetivo é tornar o ambiente mais adequado às necessidades da operação”, afirma Cerviño.
Para o gestor, a representação visual também facilita a compreensão do que acontece em diferentes áreas do projeto. “Em operações espalhadas por grandes áreas, a percepção sobre o que acontece no campo costuma ser construída a partir de relatos, indicadores e acompanhamento das equipes. O mapa acrescenta a dimensão espacial a essas informações, e uma mudança aparentemente simples em uma área pode ter reflexos em outras etapas do projeto. Com essa visão mais ampla, fica mais fácil avaliar as consequências de cada decisão antes de fazer ajustes na operação”, diz Tulio.
Desde o lançamento, há pouco mais de dois meses, o Mapa de Calor vem sendo utilizado para complementar a análise das rotas nos projetos acompanhados pela empresa. Embora ainda não haja um número consolidado de clientes ou operações que utilizam a funcionalidade, a proposta também abre espaço para transformar as informações coletadas em aprendizado para projetos futuros.
“Quando conseguimos entender como uma operação funciona na prática, esse conhecimento não precisa ficar restrito a um único projeto. Ele pode ajudar a planejar novas etapas, antecipar necessidades e considerar experiências anteriores na organização de trabalhos semelhantes”, conclui Cerviño.
A plataforma da TRACKFY | WAKECAP já monitora aproximadamente 50 mil trabalhadores simultaneamente em empreendimentos avaliados em mais de US$ 120 bilhões, acumulando mais de 150 milhões de horas de trabalho monitoradas em grandes projetos internacionais, incluindo iniciativas da Saudi Aramco, Petrobras, Vale, Gerdau, Braskem, NEOM, Qiddiya e King Salman Park.
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