
8 Dicas Essenciais para a Gestão do Giro de Estoque na Indústria
Empresas com gestão rigorosa de estoque têm 50% mais chance de superar concorrentes; especialistas apontam caminho para equilibrar custos e atendimento.
A indústria brasileira elevou a gestão do giro de estoque ao centro de suas decisões estratégicas. Segundo o Instituto de Gestão de Oferta (ISM), empresas que adotam técnicas avançadas de previsão de demanda conseguem reduzir em até 25% os níveis de estoque, sem prejuízo ao atendimento.
Estudos da Gartner reforçam a tendência, indicando que empresas com gestão rigorosa de estoque possuem 50% mais chances de superar concorrentes em desempenho financeiro. “A primeira questão é entender que o estoque em excesso é um custo para a empresa. Já o estoque baixo pode levar a perda de vendas”, resume o engenheiro mecânico industrial Thiago Leão, diretor comercial da Nomus.
Para alcançar o equilíbrio que evita tanto o capital imobilizado quanto a suspensão de fornecimento, especialistas do setor listam oito práticas fundamentais para as indústrias. O conjunto de estratégias une sistemas de gestão empresarial para indústrias, processos de auditoria recorrentes e estreitamento de laços com fornecedores.
Implante sistema ERP especializado para indústria
A implementação de sistemas ERP (planejamento de recursos empresariais) especializados é o primeiro passo para a automação na Indústria 4.0. A Nucleus Research calcula que empresas que implementam ERP industrial atualizado obtêm retorno sobre investimento de 264% ao longo de três anos. Grande parte desse retorno vem de melhorias na gestão de estoque, segundo a pesquisa.
Esse tipo de sistema diminui erros humanos no registro de movimentações, assim como a dependência de processos manuais. As plataformas modernas emitem alertas automáticos para reposição e rastreiam materiais desde a entrada até a saída.
Use tecnologias para prever demanda
A aplicação de inteligência artificial (IA) e machine learning tem potencial para reduzir os níveis de inventário, já que as tecnologias são capazes de analisar histórico de vendas, sazonalidades e tendências de mercado para antecipar necessidades de produção.
Com essa previsão baseada em dados históricos em mãos, é possível ajustar os estoques sem gerar excessos ou faltas. Além de se basear no passado, o presente também é mensurável: com as novas ferramentas, empresas conseguem sincronizar compras com o ritmo real de consumo, evitando capital parado em produtos de baixa rotação ou cortes que atrasam entregas.
Escolha uma estratégia para classificar itens
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) recomenda a codificação e organização estratégica dos produtos no armazém. A aplicação da Curva ABC é sugerida para classificar os itens por valor e criticidade, permitindo foco maior nos produtos de alto impacto financeiro.
Mais um ponto de otimização é a segmentação em três categorias principais: itens de alta rotação e de valor elevado recebem monitoramento mais frequente, enquanto produtos de menor relevância seguem controles simplificados. A prática otimiza tanto o uso do espaço físico quanto a alocação de equipes.
Adote inventários cíclicos ao longo do ano
O diretor comercial Thiago Leão defende a adoção de inventários cíclicos para registrar todas as movimentações de estoque com datas precisas. Pequenas operações podem usar a planilha de controle de estoque para esse acompanhamento inicial, enquanto empresas maiores necessitam de sistemas automatizados.
“O benefício é reduzir perdas na produção e erros no estoque”, explica. Contagens distribuídas ao longo do ano conseguem identificar desvios mais rapidamente, ao contrário dos processos anuais que podem acumular distorções por meses.
Empresas que implementam rotinas de contagem cíclica também detectam furtos, extravios e falhas operacionais antes que comprometam a produção. A prática evita surpresas no fechamento anual e reduz o risco de decisões baseadas em saldos desatualizados ou incorretos nos sistemas.
Estabeleça limites mínimo e máximo por item
A definição de limites mínimo e máximo por item é outra métrica importante. O estoque mínimo considera o consumo diário e o tempo de reposição, enquanto o máximo soma o estoque de segurança ao maior lote de compra.
O ponto de pedido calculado garante o reabastecimento, sem acumular volumes excessivos. Na prática, empresas mantêm o giro constante de mercadorias, evitando paradas na linha de produção ou custos desnecessários com armazenagem prolongada de itens pouco utilizados.
Diversifique fornecedores e fortaleça parcerias
A McKinsey & Company identificou que empresas com relacionamentos estratégicos com fornecedores obtêm redução média de 20% nos custos de aquisição ao longo de três anos. A diversificação protege contra suspensões causadas por problemas pontuais com um único parceiro. A Bain & Company aponta que fornecedores diversos apresentam taxa de retenção 20% superior, reduzindo custos com busca e homologação de novos parceiros.
Thiago Leão observa outro efeito: “Lotes maiores permitem negociações melhores com o fornecedor, como preços, formas de pagamento e até isenção de frete. O contrário também é verdadeiro: lotes menores de matéria-prima levam a custos maiores por volume e condições menos vantajosas de fornecimento.” Parcerias sólidas garantem flexibilidade em prazos e condições comerciais.
Integre logística e marketing para acelerar baixo giro
A integração entre logística, vendas e marketing acelera a movimentação de produtos que permanecem longos períodos em armazéns. O planejamento de promoções e descontos estratégicos, baseado no comportamento do estoque, transforma mercadoria obsoleta em capital de giro imediato.
A ação coordenada entre os departamentos libera espaço físico e reduz prejuízos por vencimento ou obsolescência. O foco é garantir que o armazém contenha apenas itens com alta probabilidade de venda ou uso.
Sincronize compras com produção pelo just in time
Por fim, o modelo just in time (JIT) é definido por Thiago Leão como a produção da quantidade exata para a demanda atual. A sincronização entre compra e produção minimiza necessidades de armazenamento físico e mantém capital líquido disponível. Com isso, as empresas evitam imobilizar recursos em inventários volumosos, direcionando dinheiro para investimentos ou operações de maior retorno.
Segundo o Senai, a principal vantagem está na redução de custos com armazenamento, mas o método exige coordenação precisa com fornecedores.

