
BR Goods expande indústria brasileira na China com estrutura fabril própria e controle técnico
Estrutura técnica de Ningbo BR Goods no maior polo fabril do mundo, permite que marcas nacionais ganhem escala e previsibilidade além do modelo tradicional de importação
A intensificação das relações comerciais entre Brasil e China têm impulsionado uma nova lógica de internacionalização entre empresas brasileiras. Em vez de limitar sua atuação à importação de produtos prontos, companhias de diversos setores estão migrando para um modelo produtivo próprio, com base industrial no território chinês.
Esse é o caso da Ningbo BR Goods, empresa liderada pelo brasileiro Felipe Teixeira, que opera diretamente em um dos maiores hubs logísticos da Ásia, na cidade portuária de Ningbo. “Não se trata apenas de terceirizar produção. Funcionamos como uma extensão fabril das empresas brasileiras na China, com engenharia própria, presença nas fábricas e controle técnico em todas as etapas”, explica Teixeira, especialista em Comércio Exterior e mestrando em Negócios com a China e Ásia-Pacífico.
A mudança de paradigma é respaldada por dados. Em 2024, a China foi destino de 31% das exportações brasileiras, totalizando US$104 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume representa uma alta de 10% em relação ao ano anterior nas Indústrias brasileiras. Além disso, os novos acordos bilaterais entre os dois países priorizam o apoio a pequenas e médias empresas, com acesso facilitado a plataformas digitais, incentivos à produção com valor agregado e estímulo à cooperação tecnológica.
A Ningbo BR Goods opera em mais de 30 unidades fabris em regiões estratégicas da China, desenvolvendo projetos personalizados que incluem design técnico, testes de qualidade, embalagens, documentação bilíngue e logística internacional. A empresa atende segmentos como automotivo, médico-hospitalar, construção civil, agro, eletrônicos e bens de consumo. “A automação e a personalização deixaram de ser um privilégio das multinacionais. Hoje conseguimos fornecer soluções sob medida para empresas de todos os portes, com certificação internacional e suporte direto da China”, afirma Teixeira.
A estratégia adotada pela empresa, ganha relevância em meio à escassez de profissionais técnicos no Brasil. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 74% das empresas industriais relataram dificuldades para preencher cargos técnicos em 2024, alta de 11 pontos percentuais sobre o ano anterior. Como resposta, a companhia exporta máquinas automatizadas e dispositivos industriais adaptados ao layout fabril do cliente, reduzindo a dependência de mão de obra especializada.
Com mais de 5 mil itens em seu portfólio e atuação em sete países, a BR Goods registrou crescimento de 137% em 2023 e uma nova alta de 146% já em janeiro de 2024. A meta é chegar a 30 mercados até o fim de 2025, expandindo a presença da indústria brasileira no cenário global com segurança jurídica, qualidade técnica e agilidade na produção. “O Brasil tem capital humano qualificado, mas precisa de estruturas que convertem esse talento em escala. Nosso papel é destravar esse potencial com uma base industrial sólida e ajustada à realidade de cada negócio”, conclui o executivo.

