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Paulo D. Villares lança livro sobre a indústria brasileira e a urgência de uma política industrial consistente

Paulo D. Villares lança livro sobre a indústria brasileira e a urgência de uma política industrial consistente

“O Brasil sofre sem uma política industrial consistente”, alerta Paulo D. Villares em livro
Com autobiografia, empresário e figura influente na indústria brasileira, faz um chamado à construção de um país mais competitivo e inovador A história da indústria brasileira ganha uma nova perspectiva com o lançamento de Perseguindo Utopias – Pense grande! Pense num Brasil competitivo. Assinada por Paulo D. Villares, que como líder industrial se tornou uma das figuras mais influentes do setor siderúrgico e de Bens de Capital, a obra é um testemunho lúcido sobre os bastidores da construção de um dos maiores conglomerados privados do país, as Indústrias Villares, com um chamado à reflexão sobre o futuro da economia.

Na autobiografia, publicada pela Editora Novo Século e prefaciada pelo ex-Ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, Villares narra com detalhes as origens do legado iniciado pelo pai, Luiz Dumont Villares, sobrinho de Santos Dumont, que fundou a cultura de inovação do grupo ao fabricar peças metálicas, forjadas ou fundidas em solo brasileiro durante a Segunda Guerra, abrindo caminho para a fabricação de elevadores, máquinas de grande porte e, mais tarde, a produção de aços especiais com a criação da Aços Villares.

Pioneira em práticas empresariais, a companhia foi a primeira a abrir capital no Brasil nos anos 1950, sinalizando um compromisso precoce com governança corporativa. Ao assumir a presidência em 1972, Paulo D. Villares levou adiante esse espírito com ousadia e ambição.

Sob sua liderança, a Villares se tornou referência em elevadores, siderurgia de aços especiais e bens de capital sob encomenda, chegando ao patamar de segundo maior grupo empresarial privado do país. Ele também ganhou destaque por defender práticas modernas de transparência, programas de bem-estar dos colaboradores e respeito aos acionistas minoritários.

Ao longo das páginas, o empresário revela detalhes das muitas conquistas e reveses vividos ao longo dos anos. Entre eles, a ousada aposta no II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND-II), lançado no fim de 1974, que levou a investimentos de mais de 600 milhões de dólares, na moeda de então, para a produção de peças de grande porte, em projetos monumentais, como a usina de Itaipu, produzidos na fabrica da VIBASA Pindamonhangaba (SP), e na de Equipamentos Villares, em Araraquara.

Ele lembra dos desgastes causados por promessas não cumpridas pelo Estado, a concorrência desleal de estatais e as crises cambiais que mergulharam a companhia em uma longa instabilidade financeira, agravada por conflitos familiares que culminaram na venda de joias do grupo, como a Elevadores Atlas.

Além do relato pessoal, o autor faz um diagnóstico do atraso industrial brasileiro ao denunciar a ausência de uma política industrial consistente que, acompanhada da cultura de protecionismo e da visão de curto prazo, culminou com desindustrialização do país.

Sem suavizar os erros da própria classe, ele garante que nunca esteve de acordo com o “Instituto dos Chorões”, grupo formado por empresários mais preocupados em buscar subsídios governamentais para a produção de bens com tecnologia importada, afim de ganhar concorrências, do que para desenvolvimento de tecnologia própria, garantindo a competividade de longo prazo

Com a experiência de quem integrou 26 conselhos de administração ao longo da vida, dentre eles IBM, Chase Manhattan Bank, Alcoa, Catterpilar e Fórum Econômico Mundial, Villares é enfático ao decretar que uma nação competitiva só será possível com inovação, governança, planejamento de longo prazo e compromisso coletivo com o desenvolvimento sustentável.

Responsável por fundar o capítulo brasileiro da Young Presidents’ Organization (YPO), em 1978, Paulo contribuiu ainda com a inserção definitiva do país em uma das mais prestigiadas redes globais de liderança empresarial. Com essa iniciativa, abriu caminho para que jovens nacionais tivessem acesso a uma comunidade mundial de excelência e lançou as bases para que as novas gerações possam se inspirar, fortalecer negócios e assumir o protagonismo.

Mais que a história de um império industrial, Perseguindo Utopias oferece uma análise profunda sobre os desafios do desenvolvimento brasileiro. Leitura ideal para todos que acreditam no potencial do país e estão dispostos a aceitar riscos em nome de uma visão maior. “No final, as utopias podem funcionar ou não, mas te dão uma direção. Esse processo sempre te leva a um lugar melhor. Esse é o caminho para transformar sonhos em realidade”, ensina Paulo D. Villares.

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