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Logística no Agro: Sustentabilidade deixa de ser custo e vira estratégia

Logística no Agro: Sustentabilidade deixa de ser custo e vira estratégia

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Frigoríficos e hortifrutis investem em tecnologia brasileira que elimina gastos recorrentes com plástico descartável, reduzindo custos e aumentando a eficiência

O Ministério da Fazenda elevou de 0,5% para 1,2% a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária em 2026. Apesar da revisão positiva, o governo estima que a alta do petróleo deve impactar combustíveis, transporte, fertilizantes e cadeia de alimentos, repercutindo na aceleração nos preços de bens monitorados e alimentos. Para alguns segmentos, a substituição do plástico stretch utilizado na amarração de cargas, sobretudo em frigoríficos e hortifrutis, para cintas reutilizáveis, está se consolidando como uma opção com melhor custo-benefício e menor impacto ambiental.

A inovação brasileira desenvolvida pelo engenheiro Leandro Hiebl, CEO da AgilFix, empresa brasileira especializada na fabricação de cintas reutilizáveis para amarração de cargas, responsável pelo protótipo da solução, tem sido adotada pelo agro e atualmente corresponde a 15% da base de clientes da empresa, que já impediu o uso de mais de 12.000 toneladas de plástico em uma década de comercialização. O executivo explica que, além de gerar um volume massivo de resíduos, o plástico descartável representa um custo recorrente elevado para as transportadoras, principalmente agora em que os derivados de petróleo, como o plástico, sofrem aumento de preço por conta dos conflitos no Estreito de Ormuz.

“Em um cenário em que práticas sustentáveis ganham protagonismo, reduzir esse desperdício deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a ser também uma decisão estratégica. Os frigoríficos utilizam amplamente nossas cintas. Hoje, todos os maiores frigoríficos suínos, bovinos, de aves ou peixes, já utilizam a solução, além do setor de hortifruti, em algumas cooperativas. É uma mudança que agrega três vezes mais agilidade no processo de amarração de cargas, além do impacto ambiental”, afirma o executivo.

Sustentabilidade como pilar estratégico da logística

O CEO da AgilFix, que hoje produz cerca de 17 mil cintas reutilizáveis por mês e já conta com os produtos em praticamente todo território nacional, destaca que os temas da sustentabilidade e das práticas ESG se tornaram um pilar que as empresas logísticas e o agronegócio precisam alcançar para crescer no mercado. No entanto, o investimento neste tipo de solução reutilizável não é apenas uma decisão guiada pela cultura das empresas, mas, sobretudo, pela eficiência financeira e operacional.

Para facilitar essa análise, a AgilFix desenvolveu uma calculadora própria, que estima a economia e a redução de emissões de CO₂ com base no volume de pallets movimentados. Ao substituir um insumo descartável por um produto reutilizável com vida útil de até 5 anos, a AgilFix transforma a lógica de consumo dentro da logística, mostrando que eficiência operacional e sustentabilidade podem caminhar juntas. O ganho não é só ambiental e financeiro: em termos de produtividade, a solução também se destaca, com aplicação em menos de 45 segundos por pallet, chegando a ser até três vezes mais rápida do que o uso do filme stretch.

Outro ponto, é que com os conflitos no Oriente Médio se intensificando, o preço do plástico no mercado brasileiro pode continuar a passar por reajustes expressivos. Nesse sentido, Hiebl explica que a demanda por soluções reutilizáveis segue uma trajetória de ascensão nos últimos meses e pode indicar uma escolha sustentável e economicamente mais segura para lidar com diferentes cenários geopolíticos. “Na ponta do lápis, as soluções reutilizáveis são a melhor escolha, o que falta é uma ampliação no interesse em mudar um modelo tradicional para um mais eficiente”, conclui o executivo.

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