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Empresas avançam na transformação digital, mas adoção de tecnologia não garante maturidade
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Empresas avançam na transformação digital, mas adoção de tecnologia não garante maturidade

Redação Indústria S/A3 min de leitura

Em resumo

Apesar do avanço no investimento em inteligência artificial e nuvem, especialistas alertam que a adoção de ferramentas não garante maturidade digital às empresas.

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Empresas avançam na transformação digital, mas adoção de tecnologia não garante maturidade

Segundo especialista, empresas precisam ir além da aquisição de ferramentas para transformar processos e resultados

Se, nos últimos anos, a prioridade de muitas empresas foi digitalizar processos e ampliar a infraestrutura tecnológica, agora o desafio está em fazer com que essas ferramentas trabalhem de forma integrada e produzam impacto real sobre o negócio. Na prática, o que aponta Alvaro Chaves, CEO da Areco, empresa de tecnologia e consultoria com ecossistema próprio de soluções de gestão empresarial, é que ter tecnologia não significa necessariamente ser uma empresa digital.

O movimento acontece em um momento de rápida expansão de recursos como inteligência artificial e computação em nuvem. Segundo um levantamento da Bain & Company, a adoção de IA já alcança 95% das empresas brasileiras, um avanço de 21 pontos percentuais em relação a 2024. Cerca de 40% das empresas já escalaram ao menos um caso de uso e 62% reportam impacto financeiro direto de suas iniciativas.

Já o estudo “The Value of AI 2026”, uma pesquisa da Oxford Economics que ouviu 2.600 executivos de 13 países, incluindo 200 brasileiros, apontou que, no Brasil, o investimento médio em IA já chegou a US$ 28,8 milhões neste ano, ante US$ 14,2 milhões na edição anterior, e deve crescer 46% até 2028.

O cenário aponta que tecnologias digitais já fazem parte da infraestrutura de uma parcela muito significativa do mercado, mas sua presença pode não significar, necessariamente, que as organizações tenham alcançado maturidade digital. Para a Alvaro, o ponto central está justamente nessa diferença entre adotar tecnologia e transformar o negócio por meio dela.

“Uma empresa pode utilizar inteligência artificial em inúmeros atividades e estar na nuvem e, ainda assim, manter processos fragmentados e decisões pouco orientadas por dados. O que caracteriza uma organização digital é a capacidade de fazer a tecnologia trabalhar a favor do negócio, conectando pessoas, processos, informações e objetivos estratégicos”, afirma o CEO.

A diferença entre adoção tecnológica e maturidade digital, conforme Chaves, aparece quando a empresa passa a avaliar não só quais ferramentas utiliza, mas como elas se relacionam entre si e quais resultados produzem. Uma organização pode, por exemplo, implementar inteligência artificial sem rever o processo no qual a tecnologia será utilizada. Da mesma forma, migrar sistemas para a nuvem pode modernizar a infraestrutura, mas não resolve, por si só, problemas de integração ou qualidade dos dados e tomada de decisão.

Esse cenário faz com que a transformação digital seja cada vez mais tratada como uma questão de negócio, e não exclusivamente de tecnologia, sendo necessária estratégia digital integrada à estratégia corporativa e a capacidade de transformar a experiência de clientes e operações.

“O indicador mais importante não é quantas plataformas uma empresa possui, mas o que ela consegue fazer a partir delas. Se os dados continuam isolados, se o colaborador precisa alimentar diferentes sistemas com as mesmas informações ou se a tecnologia não produz melhoria mensurável na operação, existe espaço para avançar em maturidade digital”, explica o CEO da Areco.

O executivo orienta que, para empresas que já investiram em infraestrutura tecnológica, a oportunidade pode estar em conectar melhor as soluções existentes, pensando em eliminar redundâncias, estruturar os dados e aproximar as iniciativas de tecnologia dos objetivos estratégicos da organização. É nessa combinação entre tecnologia, processos e estratégia que a transformação digital passa a fazer parte da própria maneira de fazer negócios.

“Estamos passando de uma lógica em que digitalizar era colocar um processo no computador para uma realidade em que a empresa precisa repensar como aquele processo funciona. A tecnologia é uma habilitadora dessa mudança, mas a transformação acontece quando ela altera a forma como a empresa toma decisões e opera no dia a dia”, conclui Alvaro Chaves.

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