
Agregado siderúrgico: solução sustentável para reduzir custos e melhorar estradas não pavimentadas
Em resumo
O uso de agregado siderúrgico em estradas não pavimentadas pode reduzir significativamente os custos de manutenção e aumentar a durabilidade das vias, além de diminuir a extração de recursos naturais. Resultados de um projeto experimental do DNIT no Espírito Santo demonstram uma economia substancial em comparação com a manutenção tradicional.
| Setor | Indústria e Sustentabilidade |
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| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 5 min |
Agregado siderúrgico pode reduzir custos de manutenção de estradas não pavimentadas e ampliar uso de materiais secundários Mesa-redonda da ABM Week 10 discutiu resultados de aplicação em rodovias, avanços normativos e desafios ambientais e regulatórios para transformar coprodutos em soluções para infraestrutura. Fonte: Assessoria ABM
O uso de agregados siderúrgicos na melhoria de estradas não pavimentadas pode representar uma alternativa para reduzir custos de manutenção, aumentar a durabilidade das vias e diminuir a necessidade de extração de recursos naturais. O tema foi discutido durante a mesa-redonda “Aplicação sustentável de materiais secundários para revestimento primário em vias”, realizada no primeiro dia da ABM Week 10, em São Paulo.
Promovido pela Comissão Técnica de Economia Circular e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), o encontro reuniu experiências da indústria, do setor público e da pesquisa para discutir propriedades técnicas, desempenho, impactos ambientais e aspectos regulatórios relacionados ao uso de materiais secundários da mineração e da siderurgia em infraestrutura viária. A mesa foi moderada por Leila Kauffmann, diretora da Kauffmann Engenharia e Tecnologia Ambiental.
Aplicação pode gerar economia na manutenção
Um dos destaques apresentados foi a experiência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) com a aplicação de agregado siderúrgico em uma rodovia não pavimentada no Espírito Santo. Segundo Luciana Michèlle Dellabianca Araújo, assessora técnica da Diretoria de Planejamento e Pesquisa do DNIT, o órgão realizou um trecho experimental na BR-259 para avaliar o potencial do material, em sua forma mais bruta, como promotor de melhoria da trafegabilidade.
Para definir a aplicação, foram realizados levantamentos de campo e estudos em laboratório para determinar a melhor composição entre o solo local e o agregado siderúrgico. A execução do serviço contou com uma recicladora, equipamento que permite acelerar a produção da camada de melhoramento.
Os resultados obtidos no acompanhamento da pista apontaram potencial de economia significativo. Em um comparativo realizado ao longo de três anos, a estimativa de manutenção de um trecho de 31 quilômetros mantido em solo natural chegou a quase R$ 9 milhões. Já no trecho incrementado com agregado siderúrgico, os serviços necessários para correção de defeitos somaram aproximadamente R$ 430 mil.
Luciana fez a ressalva de que parte dos problemas observados no trecho experimental esteve relacionada ao fato de a norma ainda estar em desenvolvimento. As lições obtidas com a primeira aplicação vêm sendo incorporadas aos ajustes da especificação, com o objetivo de aprimorar a qualidade do serviço.
A experiência faz parte de um processo mais amplo de desenvolvimento de normas para utilização de materiais alternativos. De acordo com Luciana, estudos anteriores já haviam demonstrado o potencial do agregado siderúrgico para utilização em base e sub-base de rodovias de alto tráfego. O avanço seguinte é a aplicação em rodovias não pavimentadas, com a BR-259 entre as iniciativas previstas.
Economia circular depende de segurança técnica e regulatória
Para Leila Kauffmann, a discussão realizada na ABM Week 10 representa uma etapa de aprofundamento de um tema trabalhado há mais de duas décadas: a utilização de agregados provenientes da mineração e da siderurgia. Segundo ela, o encontro reuniu o arcabouço técnico e ambiental necessário para ampliar a utilização desses materiais.
A especialista destacou que o DNIT já desenvolveu normas para o uso de materiais alternativos em base e sub-base e avançou também na regulamentação para revestimento primário de vias. Na avaliação de Leila, a aplicação pode beneficiar especialmente comunidades e áreas rurais, onde as condições das estradas não pavimentadas exigem manutenção recorrente.
A questão econômica está diretamente relacionada ao conceito de economia circular. Para a moderadora, a utilização de materiais gerados pelos processos industriais pode reduzir a necessidade de extração de recursos naturais, ao mesmo tempo em que cria valor para materiais que anteriormente eram tratados como resíduos.
“É um produto, não é mais um resíduo”, afirmou Leila, ao defender uma mudança de percepção sobre o agregado siderúrgico e seu potencial de aplicação. Segundo ela, estudos e dados técnicos já existentes também são importantes para enfrentar dúvidas relacionadas aos possíveis impactos ambientais do material.
Outro desafio apontado é a harmonização dos procedimentos regulatórios entre diferentes estados. Leila destacou a necessidade de maior articulação entre setor privado e poder público para estabelecer condições que permitam a aplicação sustentável dos materiais. Entre os pontos discutidos está a utilização do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), cuja exigência pode variar conforme o órgão ambiental estadual.
Mais durabilidade para as vias
A experiência do DNIT também evidencia um dos principais ganhos potenciais do uso do agregado siderúrgico: reduzir a frequência de intervenções necessárias para manter a trafegabilidade de estradas não pavimentadas.
Segundo Luciana, o solo natural é suscetível à erosão provocada pelas chuvas, o que exige recomposição periódica. O uso do agregado siderúrgico pode proporcionar maior resistência aos ciclos de chuva e ampliar o intervalo entre as intervenções de conservação, mantendo o padrão necessário para a circulação. “Há um grande número de diferenças entre manter um padrão só com solo ou manter com esse melhoramento”, afirmou a especialista, ao comparar os custos de manutenção das duas alternativas no estudo apresentado.
Para Leila, o avanço da agenda depende agora da aproximação entre conhecimento técnico, experiências práticas e políticas públicas. A comissão deve continuar acompanhando projetos em desenvolvimento e identificando novas aplicações que possam contribuir para a preservação de ativos, redução de impactos ambientais e aproveitamento de materiais secundários.
A perspectiva, segundo a moderadora, é ampliar a cooperação entre diferentes atores e consolidar soluções que já possuem respaldo técnico para que possam ser utilizadas de maneira mais ampla e sustentável.
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