
ApexBrasil identifica 653 oportunidades para produtos brasileiros nos países da EFTA
Em resumo
Um novo estudo da ApexBrasil revelou 653 oportunidades comerciais para produtos brasileiros na Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein (EFTA). O levantamento aponta potencial para o Brasil diversificar suas exportações, focando em itens de maior valor agregado como aeronaves, equipamentos médicos e alimentos.
| Setor | Negócios Internacionais |
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| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 5 min |
Estudo da ApexBrasil identifica 653 oportunidades, incluindo aeronaves, equipamentos médicos, máquinas e alimentos
Aeronaves, equipamentos médicos, instrumentos de precisão, máquinas e alimentos estão entre os produtos brasileiros com potencial para ganhar mais espaço em alguns dos mercados de maior renda do mundo. Um novo estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 653 oportunidades comerciais na Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países que formam a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).
O levantamento aponta espaço para o Brasil ampliar e diversificar sua pauta de exportações para o bloco, hoje fortemente concentrada em ouro não monetário e alumina, que responderam, juntos, por 73,1% das vendas brasileiras à EFTA em 2025. Ao mesmo tempo, o estudo identifica oportunidades em setores industriais, alimentos e produtos com maior conteúdo tecnológico e valor agregado.
Os quatro países da EFTA reúnem 15,2 milhões de habitantes, PIB de US$ 1,62 trilhão e PIB per capita médio de US$ 107,6 mil, características que se refletem em elevado poder de compra. Em 2024, o bloco importou aproximadamente US$ 478 bilhões em produtos de todo o mundo. Já as importações provenientes do Brasil alcançaram US$ 7,8 bilhões em 2025 .
Apesar da dimensão desse mercado, a participação brasileira nas importações da EFTA ainda é de cerca de 1,1%. Para a ApexBrasil, esse cenário, somado às características de consumo dos quatro países, indica espaço para ampliar a presença de produtos brasileiros, especialmente aqueles de maior valor agregado.
653 oportunidades para produtos brasileiros As exportações brasileiras para a EFTA chegaram a US$ 3,8 bilhões em 2025. A Suíça concentrou aproximadamente US$ 2 bilhões desse total e é o principal destino do ouro brasileiro no bloco. A Noruega aparece em seguida, com US$ 1,5 bilhão, e se destaca como principal compradora de alumina.
Além desses produtos, o Brasil já vende para os países da EFTA café não torrado, torneiras e válvulas industriais, combustíveis refinados, carnes de aves e outros produtos industriais. O estudo destaca ainda o crescimento de segmentos como válvulas industriais e café, indicando potencial para uma maior diversificação da pauta exportadora.
O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 653 oportunidades comerciais para produtos brasileiros nos quatro países. Elas estão concentradas principalmente em máquinas e equipamentos de transporte, produtos alimentícios, equipamentos industriais, papel e cartão, produtos de madeira e outros bens manufaturados.
Entre os produtos com oportunidades identificadas estão torneiras e válvulas industriais, aeronaves, cacau em pó, café torrado, instrumentos de medição e equipamentos médicos. O levantamento também aponta espaço para setores de maior conteúdo tecnológico, como instrumentos de precisão, equipamentos elétricos e dispositivos médicos.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, conhecer as características desses mercados e identificar onde estão as oportunidades é parte importante do trabalho para ampliar e diversificar a presença dos produtos brasileiros no exterior.
“Diversificar mercados passa por conhecer onde estão as oportunidades e preparar as empresas para aproveitá-las. Quando reunimos inteligência de mercado, promoção comercial e melhores condições de acesso, criamos caminhos para que mais empresas brasileiras possam alcançar novos destinos. A EFTA reúne mercados de alto poder de compra e oferece oportunidades em diferentes setores, inclusive para produtos de maior valor agregado”, afirma Müller.
Acordo Mercosul–EFTA amplia perspectivas As oportunidades identificadas ganham um novo impulso com a conclusão das negociações do Acordo Mercosul–EFTA, que prevê uma ampla liberalização do comércio entre os dois blocos. Para os produtos industriais e pesqueiros exportados pelo Mercosul, está prevista a eliminação das tarifas de importação sobre praticamente todos os itens.
No agronegócio, as concessões também abrangem produtos nos quais o Brasil possui forte presença internacional, como carnes bovina, suína e de aves, café torrado, suco de laranja, mel, frutas frescas, manteiga de cacau, chocolates, confeitaria e milho, entre outros produtos agroindustriais.
As condições variam entre os países. A Islândia passará a oferecer livre comércio para chocolates e produtos de confeitaria, enquanto Suíça e Liechtenstein concederão acesso preferencial para itens como café torrado, suco de laranja e manteiga de cacau. A Noruega, por sua vez, amplia oportunidades para ração animal, amendoim e diversos produtos agrícolas.
Brasil e Noruega já concluíram os procedimentos necessários para a aplicação bilateral antecipada do acordo, criando oportunidades para exportadores brasileiros antes mesmo da ratificação completa pelos demais integrantes do bloco.
EFTA tem US$ 56,7 bilhões investidos no Brasil A relação econômica entre Brasil e EFTA vai além das exportações. Em 2024, o estoque de investimento estrangeiro direto proveniente dos países do bloco alcançou US$ 56,7 bilhões, equivalente a aproximadamente 5% de todo o estoque de investimento estrangeiro direto no Brasil.
Se os quatro países fossem considerados conjuntamente como uma única origem, a EFTA ocuparia a quinta posição entre os maiores investidores estrangeiros no Brasil. A Suíça responde por cerca de 77,6% desses investimentos, seguida pela Noruega.
Entre 2016 e 2026, foram identificados 211 projetos greenfield, que somam US$ 11,9 bilhões em investimentos anunciados. Os projetos estão concentrados principalmente nos setores de energia, mineração, alimentos, infraestrutura, tecnologia e indústria farmacêutica.
Empresas com origem nos países do bloco já possuem presença relevante na economia brasileira. Entre elas estão Bunge, Nestlé, Yara, Hydro, Novartis e Roche, com operações em diferentes setores.
O Perfil de Comércio e Investimentos – EFTA reúne dados sobre comércio, oportunidades de exportação, investimentos e condições de acesso aos mercados de Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O estudo busca apoiar empresas brasileiras na identificação de novos destinos e na definição de estratégias para ampliar sua atuação internacional.
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