
BRASIL: Mercado de sucata ferrosa visa exportações, apesar de margem financeira deficitária
BRASIL: Mercado de sucata ferrosa visa exportações, apesar de margem financeira deficitária
Uma busca acentuada por sucata mista foi observada no mercado brasileiro de sucata ferrosa durante a semana de 22 de maio, em meio à baixa coleta e concorrência entre os mercados doméstico e de exportação.
“A corrida é pela sucata mista, material que o mercado está mais procurando nos pátios de sucata porque as siderúrgicas estão comprando por R$ 1.200/t”, disse uma fonte do mercado.
Devido à lenta demanda nas semanas anteriores, houve relatos de baixa coleta de material. Outro participante do mercado disse que estava entregando muito pouco material porque a coleta de sucata estava lenta.
Por outro lado, embora o preço da sucata de cavaco de aço tenha subido, as vendas continuaram estagnadas na semana.
“Eu queria conseguir vender sucata de cavaco de aço pois o preço chega a R$ 1.060-1.080/t, ou seja, subiu significativamente”, disse uma terceira fonte do mercado.
Uma fonte de usina confirmou que os estoques para consumo de sucata de estamparia estavam cheios após uma paralisação de dez dias para manutenção.
“Quando reiniciamos as operações, havia uma fila de caminhões de 36 horas para descarregar”, disse a fonte.
Outra fonte de usina acredita que o preço da sucata de estamparia pode cair, acompanhando as quedas recentes nos preços das placas.
A Platts avaliou a placa brasileira em US$ 735/t FOB em 19 de maio, queda de US$ 110/t FOB nos últimos 30 dias.
As siderúrgicas aumentaram os preços da sucata miúda pesada, conforme avaliação da Platts nas semanas anteriores, num movimento de proteção do mercado entre as usinas a fim de conter a concorrência.
Um comprador disse que aumentou o preço da sucata de obsolescência em R$ 100/t neste período.
“Estávamos sem alterar o preço desde novembro”, acrescentou a fonte. “Fizemos a correção como medida de proteção.”
No entanto, segundo um fornecedor, as exportações aparentemente estão paralisadas, já que a eleição presidencial na Turquia ainda não terminou.
O mercado turco segue cauteloso devido ao segundo turno das eleições presidenciais, programado para 28 de maio, e à desvalorização da lira turca em relação ao dólar americano.
Houve relatos de um prêmio de apenas 10% entre a sucata miúda pesada doméstica e as exportações, o que indica que aqueles que seguem mirando as exportações estão operando com margens mínimas.
A Platts avaliou o preço semanal da miúda pesada brasileira em R$ 1.150/t FOT (faixa de R$ 1.100-1.200/t), estável na semana de 22 de maio, a sucata de cavaco em R$ 800/t FOT (faixa de R$ 700-900/t) e a sucata de estamparia em R$ 1.250/t FOT, com base na maioria das transações, ofertas de venda e de compra repetíveis na faixa de R$ 1.200-1.300/t.
No segmento de não ferrosos, um reciclador se mostrou preocupado com a produção de material, dizendo que há uma escassez de sucata não ferrosa devido à desaceleração nos setores automotivo e de embalagens.
As latas de bebidas de alumínio, o perfil de alumínio e a estamparia de alumínio ficaram inalterados na semana de 22 de maio. A Platts avaliou as latas de bebidas de alumínio em R$ 7,20/kg, com base na faixa de R$ 6,70-7,70/kg, e o perfil de alumínio em R$ 12,50/kg, com base na faixa entre R$ 12-13/kg. A estamparia de alumínio ficou inalterada em R$ 10,50/kg, com base na faixa de R$ 10-11/kg FOT.
Frente parlamentar de reciclagem é formada
A Frente Parlamentar de Recicladores do Brasil foi lançada em 18 de maio, em Brasília, com a participação de representantes do Instituto Nacional da Reciclagem (INESFA), do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e autoridades do governo.
Presidida pelo Deputado Federal Vinicius Carvalho, a Frente vai criar mecanismos para que recicladores, cooperativas e a indústria discutam leis e políticas públicas.
Para Clineu Nunes Alvarenga, presidente do INESFA, um dos principais objetivos a serem alcançados é a aprovação do Projeto de Lei 4.035/21, que visa isenção de impostos (PIS e COFINS) na venda de resíduos, sucatas e outros materiais reciclados.
“Existem cerca de 50 mil cooperados e mais de 1 milhão de recicladores de sucata autônomos que não querem se filiar a cooperativas devido à alta taxação”, disse ele.
Roney Alves, representante do MNCR, manifestou sua preocupação durante a audiência no evento.
“O setor está ameaçado pela falta de condições de pagamento de custos e pela queda nos preços dos materiais”, disse Alves.
A Platts é parte da S&P Global Commodity Insights.
Fonte: Platts

