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Comércio do Brasil com países da EFTA cresce 18% e atinge US$ 6,8 bilhões em 2026
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Comércio do Brasil com países da EFTA cresce 18% e atinge US$ 6,8 bilhões em 2026

Redação Indústria S/A4 min de leitura

Em resumo

Levantamento aponta alta nas trocas comerciais entre o Brasil e o bloco europeu EFTA às vésperas da entrada em vigor do acordo de livre comércio. Importações e exportações somaram US$ 6,8 bilhões.

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AutoriaRedação Indústria S/A
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Comércio do Brasil com países europeus cresce 18% e se aproxima de US$ 7 bilhões às vésperas de novo acordo

Levantamento da Cronos Logistics com dados do Comex Stat aponta crescimento das importações e exportações brasileiras com Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein (EFTA) entre janeiro e setembro de 2026. Com a entrada em vigor gradual do acordo Mercosul-EFTA, empresas terão novas oportunidades de reduzir tarifas, ampliar negócios e importar tecnologias, mas precisarão atender a exigências de origem, documentação e cotas para aproveitar os benefícios.

O comércio entre o Brasil e os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein, cresceu 18,1% entre janeiro e setembro de 2026 e alcançou US$ 6,8 bilhões, ante US$ 5,75 bilhões no mesmo período do ano passado. Os números fazem parte de um levantamento da Cronos Logistics, realizado com base em dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Desse total, US$ 3,28 bilhões correspondem às exportações brasileiras e US$ 3,52 bilhões às importações. O avanço antecede a entrada em vigor gradual do acordo Mercosul-EFTA, que prevê a redução de tarifas comerciais, a ampliação do acesso a mercados internacionais e novas oportunidades para a indústria brasileira.

O acordo comercial começou a valer para a Islândia em 1º de outubro e entrará em vigor para a Noruega em 1º de novembro. Suíça e Liechtenstein ainda dependem da conclusão de procedimentos internos para sua implementação. Entre os destaques do levantamento está a Noruega, de onde as importações brasileiras cresceram 25,7% entre janeiro e setembro, alcançando US$ 699,3 milhões.

As novas condições comerciais poderão favorecer a aquisição de máquinas, componentes e tecnologias utilizados em setores como energia, indústria naval e operações offshore. Segundo o MDIC, aproximadamente 97% do comércio brasileiro com a EFTA será liberalizado, com redução de tarifas em etapas que podem chegar a 15 anos.

Do lado europeu, quase 99% do valor exportado pelo Brasil ao bloco estará contemplado pelo livre comércio, o que amplia também as possibilidades de negócios para a indústria nacional.

Para aproveitar essas oportunidades, entretanto, importadores e exportadores precisarão observar as regras de origem, a classificação fiscal das mercadorias e os procedimentos específicos de cada operação. Alguns produtos também estão sujeitos a cotas, que estabelecem limites quantitativos para a aplicação de condições tarifárias preferenciais.

“O impacto desses acordos vai além da redução de impostos. As empresas terão de rever fornecedores, analisar as regras aplicáveis a cada mercadoria e planejar as operações com antecedência. Uma compra internacional aparentemente mais barata pode perder essa vantagem se a documentação não atender às exigências ou se a operação for estruturada de forma inadequada”, explica Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics, um dos 50 maiores agentes de carga do Brasil.

A implementação do acordo com a EFTA ocorre em meio a outras mudanças nas relações comerciais brasileiras. O tratado provisório entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio, prevê a redução progressiva de tarifas e já resultou em crescimento de 30,7% nas exportações brasileiras para o bloco europeu entre maio e setembro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o MDIC.

Já o acordo com Singapura, vigente desde agosto, amplia as oportunidades de negócios com um dos principais centros logísticos e financeiros da Ásia. Juntos, os três tratados elevam de 12,4% para 31,2% a parcela das exportações brasileiras abrangida por preferências tarifárias, conforme o Ministério. As diferentes condições de acesso aos mercados também podem influenciar a escolha de fornecedores, os custos de produção e as rotas utilizadas pelas empresas brasileiras.

Para Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics, que mantém cinco escritórios no Brasil e dois nos Estados Unidos, a ampliação dos acordos deve levar as empresas a rever suas estratégias de comércio exterior. “Estamos diante de uma mudança importante na forma como o Brasil se relaciona comercialmente com grandes mercados. A possibilidade de importar tecnologia com menor carga tributária e alcançar novos compradores cria oportunidades para diferentes setores da economia, mas os ganhos dependerão de planejamento e capacidade de adaptação. Contar com operadores de comércio exterior experientes, capazes de orientar sobre as exigências de cada mercado e identificar as melhores alternativas logísticas, será fundamental para as empresas transformarem essas oportunidades em vantagens competitivas”, avalia.

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