
Conectividade via satélite impulsiona "boat office" e transforma design de embarcações
Em resumo
A internet via satélite em alto-mar amplifica as possibilidades de trabalho remoto, popularizando o conceito de "working from yacht". Essa tendência está influenciando diretamente o design das novas embarcações, com foco em ergonomia e tecnologia embarcada.
| Setor | Indústria Náutica |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 3 min |
"Boat office" vira tendência entre executivos com avanço da internet via satélite
Avanço da conectividade em alto-mar amplia as possibilidades de trabalho a bordo e começa a influenciar também o desenvolvimento das embarcações. Modelo Focker 355 GTS Explorer, da Fibrafort, líder em volume de produção de barcos na América Latina, já sai de fábrica com Starlink integrada ao projeto. Setembro, 2026 – O trabalho híbrido já faz parte da rotina da maioria dos altos executivos.
Levantamento do International Workplace Group (IWG), realizado com mais de 500 CEOs, apontou que 93% adotaram pessoalmente modelos flexíveis de trabalho, enquanto apenas 7% permanecem cinco dias por semana no escritório central. Essa mudança na forma de trabalhar, somada ao avanço da internet via satélite, começa a transportar a rotina corporativa para outros ambientes.
No mercado náutico, o movimento ganhou até nome: “working from yacht”, expressão utilizada para definir empresários e executivos que passaram a conciliar períodos a bordo com reuniões, gestão de equipes e outras atividades profissionais.
A transformação ganhou força a partir de 2022, quando a Starlink recebeu autorização regulatória nos Estados Unidos para operar em veículos em movimento, incluindo barcos e navios, e lançou o serviço voltado ao segmento marítimo. Desde então, a adesão avançou rapidamente: segundo dados da própria empresa, mais de 150 mil embarcações já estavam conectadas à Starlink ao fim de 2025, mais que o dobro das 75 mil registradas um ano antes.
O crescimento da conectividade em alto-mar também passou a influenciar os projetos das embarcações, com maior atenção à ergonomia, tecnologia embarcada e espaços versáteis.
“A conectividade ampliou os diferentes usos do barco. Para um empresário ou executivo, estar a bordo não significa mais necessariamente se afastar da empresa. Hoje é possível participar de reuniões, acompanhar operações, fechar negócios e até receber clientes durante uma navegação. Isso dá liberdade para permanecer mais tempo no barco sem interromper completamente a rotina profissional”, afirma Barbara Martendal, diretora de negócios da Fibrafort, líder em volume de produção de barcos na América Latina.
Segundo ela, a mudança também interfere nas características observadas pelos consumidores. “Conexão, pontos de carregamento, espaços de apoio e conforto para uma permanência mais longa passam a ganhar relevância junto com os ambientes de lazer”, diz.
Um exemplo dessa mudança é a Focker 355 GTS Explorer, novidade da Fibrafort e primeiro modelo da nova linha Explorer da fabricante. A lancha de 35 pés já sai da fábrica com internet Starlink instalada, solução incorporada ao projeto para evitar adaptações posteriores. Com design de inspiração europeia, linhas esportivas e ergonomia pensada para períodos mais longos a bordo, tem 10,52 metros de comprimento, 3,21 metros de boca e capacidade para até 14 pessoas. A motorização parte de dois motores de 250 hp e pode chegar a uma dupla de 350 hp.
O modelo traz ainda pé-direito de 1,87 metro, espaço gourmet duplo integrado à área de convivência, plataforma de popa voltada ao lazer, iluminação em LED da popa à proa e layout desenvolvido para favorecer circulação e permanência a bordo. A proposta combina características de uma lancha esportiva com soluções de conforto e conectividade que acompanham novos hábitos dos consumidores.
A proposta da Fibrafort poderá ser conferida de perto no São Paulo Boat Show, maior evento náutico da América Latina, que ocorre de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo.
Leia também

Marina Itajaí se consolida como vitrine náutica no Sul e impulsiona economia azul, gerando R$ 1,5 bi/mês em salários
Frete marítimo quase 400% mais caro eleva risco de disputas em contratos de importação

INDÚSTRIA NAVAL ABB adquire norueguesa Høglund
