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Desafio da falta de mão de obra qualificada na indústria náutica em Santa Catarina

Desafio da falta de mão de obra qualificada na indústria náutica em Santa Catarina

Falta de mão de obra qualificada desafia crescimento da indústria náutica, diz CEO de estaleiro

Julho, 2025 – Além do potencial do Brasil para a náutica, em termos industriais, Santa Catarina concentra cerca de 70% da produção nacional de embarcações e responde por 90% das exportações de barcos de lazer, segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar). O crescimento da indústria, no entanto, esbarra em um desafio comum: a falta de profissionais qualificados em áreas técnicas como laminação, elétrica, montagem e acabamento. Mesmo sendo uma atividade artesanal e exigente, o Brasil ainda não conta com um curso específico no setor náutico de lazer ou rede estruturada de capacitação voltada à cadeia produtiva náutica. Atualmente, Santa Catarina soma 5 mil empregos diretos na indústria náutica.

A falta de capacitação impacta diretamente os estaleiros, localizados em diferentes regiões do estado, como é o caso do Grupo Armatti & Fishing, sediado em São José, na Grande Florianópolis, que comercializa suas embarcações ao Brasil e ao exterior. Para o CEO da empresa, Fernando Assinato, a qualificação da mão de obra é um dos principais gargalos do setor. “Temos uma indústria que exige alto padrão de execução, com processos manuais e detalhistas, mas ainda carecemos de programas específicos de formação profissional. O SENAI é um parceiro essencial e vem desempenhando um papel relevante ao qualificar novos talentos. Em 2024, por exemplo, foram 29 aprendizes formados e a previsão é de mais 35 para este ano. Mas esse número ainda é pequeno diante do volume de estaleiros que temos em Santa Catarina e da necessidade de mão de obra técnica”, afirma. Segundo a Acobar, o estado concentra mais de 10 estaleiros de renome internacional em cidades estratégicas como Itajaí, São José, Palhoça, Biguaçu e Florianópolis.

Com forte atuação no mercado nacional e internacional, o Grupo Armatti & Fishing soma hoje mais de 30 modelos em seu portfólio, entre as lanchas premium e as embarcações voltadas à prática esportiva e de lazer . A produção média anual gira em torno de 80 embarcações, com 120 empregos diretos gerados. A marca também exporta para países como Austrália, Estados Unidos, Bahamas, Tailândia, Portugal, entre outros, além de atender todo o território brasileiro. Assim como outros fabricantes da região, precisa estruturar internamente programas constantes de treinamento para garantir a continuidade e a qualidade da operação.

“Com um número maior de profissionais capacitados, não apenas o nosso estaleiro, mas todo o setor náutico pode crescer com ainda mais consistência e solidez, mas para sustentar esse crescimento, é fundamental o apoio de instituições, universidades e do governo para investir na qualificação da mão de obra. A formação técnica contínua é o que vai garantir que o Brasil se torne um dos líderes da indústria náutica, para ampliar sua participação no mercado global e se consolidar como uma verdadeira potência da Economia do Mar. O fortalecimento da cadeia náutica traz reflexos diretos para a geração de empregos, o aumento da renda local e o desenvolvimento econômico do estado como um todo”, afirma Assinato.

Para que esse avanço se sustente nos próximos anos, o executivo defende uma atuação mais integrada entre estaleiros, instituições de ensino técnico e o poder público. A expansão de programas de capacitação, como os do SENAI, e o reconhecimento da indústria náutica como vetor da chamada Economia do Mar são considerados passos fundamentais para fortalecer a competitividade do Brasil no cenário internacional. “O segmento tem potencial para se consolidar como uma das principais forças da indústria”, finaliza.

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