
Digitalização impulsiona crescimento e eficiência da mineração na América Latina
A mineração na América Latina busca crescimento através da maximização de operações existentes, com foco em otimização, eficiência e sustentabilidade. A digitalização, incluindo inteligência artificial e machine learning, é essencial para impulsionar a produtividade do setor.
Na América Latina, crescimento da mineração depende cada vez mais de maximizar o valor das operações existentes
Com investimentos concentrados na expansão, modernização e aumento da eficiência operacional, setor mineral brasileiro encontra na digitalização uma oportunidade para impulsionar produtividade, competitividade e sustentabilidade Durante anos, o crescimento da mineração esteve associado principalmente ao desenvolvimento de novos empreendimentos e a grandes investimentos de capital.
Hoje, o cenário é mais complexo. Questões regulatórias, exigências ambientais, disponibilidade de recursos e a necessidade de manter a competitividade têm levado empresas do setor a direcionar cada vez mais esforços para a otimização e expansão de operações já existentes.
Nesse contexto, a produtividade passa a desempenhar um papel ainda mais estratégico. Com ativos já instalados e investimentos significativos realizados ao longo dos últimos anos, o desafio agora é capturar todo o potencial dessas operações por meio de tecnologias que permitam decisões mais inteligentes, processos mais eficientes e maior previsibilidade operacional.
Segundo o Gerente de Negócios de Software para a América Latina da Rockwell Automation, Sergio Campana, já foi investido muito nas operações que estão em atividade, mas a produtividade não avançou necessariamente na mesma proporção. “Isso abre uma discussão importante sobre como capturar plenamente o valor desses investimentos. Na minha experiência, existe uma oportunidade relevante em reduzir a distância entre o que os modelos recomendam e o que efetivamente acontece na operação”, explica.
O Brasil já se destaca como referência regional na aplicação de inteligência artificial à mineração, impulsionando iniciativas voltadas para otimização de processos, aumento de produtividade e melhoria da recuperação mineral. O avanço de tecnologias como aprendizado de máquina, análise avançada de dados e sistemas de controle inteligente vem permitindo que as empresas extraiam mais valor dos ativos existentes sem a necessidade de grandes expansões físicas.
As evidências desse potencial já podem ser observadas em diferentes operações ao redor do mundo, modelos avançados de machine learning têm contribuído para otimizar o equilíbrio entre volume processado e recuperação mineral, enquanto soluções de inteligência preditiva ajudam a melhorar o desempenho de processos complexos e reduzir variabilidades operacionais.
Esse movimento também acompanha uma tendência global, segundo análises do setor. Produtores de cobre e de outros minerais vêm adotando tecnologias como inteligência artificial, aprendizado profundo e gêmeos digitais para aumentar o throughput das plantas e melhorar indicadores de recuperação, no entanto, capturar esses benefícios exige mais do que implementar novas ferramentas tecnológicas.
“Já vi projetos de controle avançado que não apresentaram os resultados esperados não por causa dos algoritmos, mas porque a instrumentação e a infraestrutura de dados necessárias para suportá-los foram consideradas garantidas. Quando essa base não está adequadamente construída, a tecnologia acaba herdando os problemas existentes em vez de resolvê-los. São desafios distintos que precisam avançar juntos”, explica Campana.
De acordo com o especialista, outro aspecto fundamental está relacionado ao alcance da otimização. “Uma planta não opera de forma isolada. Muitas das limitações observadas em uma concentradora são definidas anteriormente, desde a fragmentação até a variabilidade geometalúrgica do minério recebido. Por isso, uma visão integrada de toda a cadeia produtiva permite identificar oportunidades de melhoria muito maiores do que aquelas obtidas com iniciativas isoladas”, acrescenta.
Além da produtividade, tecnologias avançadas vêm contribuindo para fortalecer a segurança operacional, a gestão de ativos, a eficiência energética e a resiliência dos processos industriais. Esses fatores ganham importância crescente à medida que empresas buscam ampliar capacidade sem comprometer a continuidade das operações.
Expandir uma mina em atividade apresenta desafios que novos projetos normalmente não enfrentam. A execução de obras e modernizações precisa ocorrer simultaneamente à operação diária, elevando significativamente a complexidade técnica e operacional dos projetos.
Nesse cenário, continuidade operacional e segurança cibernética deixam de ser apenas áreas de suporte e passam a ser elementos essenciais para o sucesso dos investimentos. Um projeto de expansão que impacta negativamente a produção durante sua implementação deixa de capturar valor e passa a adiar resultados.
Para enfrentar esses desafios, a Rockwell Automation apoia empresas de mineração no Brasil em três frentes principais: a construção da infraestrutura de dados e instrumentação necessária para viabilizar análises avançadas e controle inteligente; a integração da tomada de decisão ao longo de toda a cadeia produtiva; e a garantia da continuidade operacional e da segurança durante projetos de expansão e modernização.
“Nosso trabalho não termina quando a tecnologia é implementada, mas quando a operação muda a forma como toma decisões. Isso é medido no dia a dia da produção. Se o conhecimento e a capacidade não permanecem nas equipes que operam a mina, os resultados acabam se perdendo com o tempo”, conclui Campana.
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