
Gestão da produtividade têxtil: dados substituem percepção com oito indicadores-chave
Redação Indústria S/A
A indústria têxtil brasileira busca otimizar a produtividade através da gestão por indicadores, superando a tomada de decisões baseada em percepções. Oito métricas essenciais são apresentadas para avaliar o desempenho fabril, com a automação e a coleta de dados em tempo real surgindo como soluções para acompanhamento preciso.
Dado substitui percepção na gestão da produtividade têxtil
Levantamento aponta oito indicadores como referência para o setor avaliar desempenho fabril; automação e coleta de dados em tempo real aparecem como caminho para acompanhá-los com precisão
A falta de mão de obra qualificada segue no topo das preocupações da indústria têxtil brasileira, segundo sondagem da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) realizada entre empresários do setor. Soma-se a isso a pressão por custos e a instabilidade econômica, e o resultado é um cenário em que decisões tomadas por percepção, e não por dados, custam caro.
Só que gestão baseada em indicadores pressupõe saber quais indicadores olhar, e é nisso que boa parte das indústrias do segmento ainda erra o alvo. “Não basta acompanhar o volume produzido ou o faturamento no fim do mês, é preciso decompor a operação em métricas que mostrem, com precisão, onde está o gargalo” afirma Fábio Kreutzfeld, CEO da Delta Máquinas Têxteis, de Pomerode (SC). Especialistas como ele apontam ao menos oito indicadores como indispensáveis para esse diagnóstico: produtividade, qualidade, capacidade produtiva, lucratividade, margem de contribuição, depreciação de ativos, desempenho da cadeia de suprimentos e indicadores ambientais.
Produtividade e capacidade produtiva formam o par mais citado, mas também o mais mal interpretado. “Produtividade mede quanto se produz em relação ao tempo e aos recursos empregados, já a capacidade mostra o limite da estrutura instalada, ou seja, quanto a fábrica poderia produzir se operasse no seu potencial máximo. A distância entre os dois números costuma ser o primeiro sinal de ineficiência. Uma fábrica com capacidade alta e produtividade baixa não tem problema de máquinas, mas sim de processos”, explica.
A qualidade, por sua vez, deixou de ser avaliada só pelo resultado final. O indicador mais relevante hoje é a taxa de refugo e retrabalho, porque cada peça reprocessada consome tempo, insumos e energia que já haviam sido contabilizados como custo de produção. Fábricas que registram esse dado de forma contínua, e não por amostragem no fim do lote, têm uma leitura mais confiável.
Já lucratividade, margem de contribuição e depreciação de ativos compõem o retrato financeiro da operação. “Lucratividade mostra o resultado líquido do negócio; margem de contribuição isola quanto cada produto efetivamente contribui para cobrir custos fixos e gerar lucro, revelando quais linhas sustentam a empresa e quais apenas ocupam capacidade produtiva; e a depreciação de ativos indica o desgaste do parque fabril e orienta a decisão sobre quando investir em reposição”, explica Fábio, lembrando que, atrasar essa leitura, por exemplo, significa operar com equipamento em queda de rendimento sem perceber.
Cadeia de suprimentos e indicadores ambientais fecham o conjunto e ganham peso crescente diante das exigências de rastreabilidade. Saber a origem da matéria-prima, o tempo de giro de estoque e o consumo de água e energia por lote produzido se tornou critério de habilitação comercial no mercado.
Esse conjunto de indicadores só ganha valor prático quando sai da planilha e passa a ser incorporado ao ritmo da produção. É o que a automação embarcada nas máquinas têxteis vem permitindo: sensores e sistemas de visão computacional registram dado a dado no exato momento em que o processo acontece, sem depender de amostragem manual ou de fechamento de lote. Medir indicadores isoladamente ajuda a corrigir a rota, mas medi-los de forma integrada é o que prepara o negócio à antecipação de possíveis problemas.
“Não adianta ter oito indicadores se a fábrica só consegue medir um deles em tempo real. A automação existe justamente para fechar essa lacuna entre o dado e a decisão. Produtividade é também uma questão de informação. A indústria têxtil brasileira sempre soube produzir bem, o que muda agora é a velocidade com que ela consegue enxergar os próprios números", reforça o CEO da Delta Máquinas.
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