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Setor produtivo cobra previsibilidade e inovação para manter investimentos na indústria brasileira
Negócios e Indústria

Setor produtivo cobra previsibilidade e inovação para manter investimentos na indústria brasileira

Redação Indústria S/A2 min de leitura

Em resumo

Artigo de Flávio Guimarães, presidente da Corning na América Latina, analisa os fatores decisivos para a competitividade da indústria no Brasil, como segurança jurídica, infraestrutura e incentivo à inovação tecnológica.

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AutoriaRedação Indústria S/A
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O QUE O SETOR PRODUTIVO ESPERA PARA CONTINUAR INVESTINDO NO BRASIL?

*Por Flávio Guimarães

Investir em inovação exige mais do que uma boa ideia ou uma tecnologia promissora. É preciso planejamento, visão de longo prazo e, principalmente, um ambiente que permita às empresas tomarem decisões com segurança. Para o setor produtivo brasileiro, essa combinação é cada vez mais importante diante da velocidade das transformações tecnológicas e da necessidade de ampliar a competitividade da indústria.

A proximidade de novos ciclos políticos naturalmente aumenta as discussões sobre os rumos da economia e sobre as condições para novos investimentos. Mas, independentemente de governos ou calendários eleitorais, há fatores estruturais que precisam ser tratados como compromissos de longo prazo, como previsibilidade regulatória, infraestrutura, qualificação profissional e estímulo à inovação.

Para uma empresa decidir onde e quanto investir, não basta olhar para a demanda atual, pois é necessário considerar o ambiente que existirá nos próximos anos. Mudanças frequentes em regras, insegurança sobre marcos regulatórios ou dificuldade para projetar custos podem aumentar a cautela e postergar decisões que poderiam gerar ganhos de produtividade, empregos e desenvolvimento tecnológico.

Porém, vale destacar que a previsibilidade não significa ausência de mudanças. Toda economia precisa evoluir e responder a novas necessidades, mas o ponto central é que essas mudanças ocorram de maneira estruturada, com regras claras e horizonte suficiente para que o setor produtivo consiga se adaptar e planejar.

Outro aspecto fundamental é a infraestrutura, já que a indústria que está sendo construída hoje é diferente daquela de algumas décadas atrás. A digitalização das operações, a automação, a inteligência artificial e a crescente demanda por conectividade ampliaram a dependência de redes de energia, telecomunicações, logística e processamento de dados eficientes e confiáveis.

Hoje, portanto, a competitividade industrial depende cada vez mais da capacidade de produzir, transportar, conectar e processar informações com eficiência.

Também precisamos avançar na forma como o Brasil transforma conhecimento em aplicação prática. O país possui universidades, centros de pesquisa e profissionais qualificados, mas ainda há espaço para aproximar mais a produção científica das necessidades concretas da indústria. Incentivar parcerias entre empresas, instituições de ensino e centros tecnológicos pode acelerar esse processo e ajudar a transformar pesquisa em produtos, processos e soluções capazes de competir globalmente.

Nesse ponto, inovação não deve ser entendida apenas como desenvolvimento de uma tecnologia inédita. Inovar também significa melhorar processos, aumentar produtividade, reduzir desperdícios, incorporar novos materiais, automatizar etapas e encontrar maneiras mais eficientes de responder às necessidades do mercado.

Portanto, vejo que o Brasil tem condições de ampliar sua participação em cadeias industriais de maior valor agregado, mas isso depende de uma agenda que ultrapasse os ciclos de curto prazo. As companhias precisam de condições para investir; os profissionais precisam de oportunidades para se qualificar; e o país precisa criar um ambiente em que inovação seja tratada como parte da estratégia de desenvolvimento, e não como um movimento pontual.

*Flávio Guimarães, presidente da Corning na América Latina e Caribe

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