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Importação da China foca em previsibilidade e qualidade, não apenas menor preço
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Importação da China foca em previsibilidade e qualidade, não apenas menor preço

Redação Indústria S/A3 min de leitura

Empresas brasileiras estão profissionalizando a importação da China, priorizando previsibilidade, qualidade e gestão de risco. A mudança visa proteger margens e garantir crescimento sustentável, distanciando-se da antiga busca exclusiva pelo menor preço.

A vantagem de importar da China mudou e já não está no menor preço

Empresas brasileiras profissionalizam a relação com fabricantes chineses e passam a priorizar previsibilidade, qualidade e gestão de risco para proteger margens e crescer de forma sustentável

A China segue como a principal origem das importações brasileiras e responde por cerca de um quarto de tudo o que o país compra no exterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2025, as importações brasileiras provenientes do país asiático alcançaram US$70,9 bilhões, o maior volume da série histórica, reforçando o papel estratégico da China para cadeias produtivas de setores como indústria, construção civil, tecnologia e bens de consumo.

Se antes o desafio era encontrar fornecedores confiáveis, hoje a preocupação das empresas mudou. Em um ambiente marcado por margens mais apertadas, oscilações logísticas e maior concorrência internacional, importar deixou de ser uma decisão baseada apenas no menor preço e passou a exigir planejamento, inteligência comercial e gestão de risco.

Para Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, localizar fabricantes deixou de representar uma vantagem competitiva. O diferencial passou a estar na capacidade de selecionar parceiros confiáveis, compreender a operação industrial e construir relações de longo prazo. "Hoje qualquer empresário consegue encontrar um fornecedor pela internet. O que poucos conseguem é validar sua capacidade produtiva, entender seus processos e construir uma parceria capaz de entregar qualidade e previsibilidade ao longo dos anos", afirma o executivo.

Na avaliação do fundador, um dos erros mais recorrentes é concentrar toda a negociação no valor da mercadoria. Segundo ele, diferenças aparentemente pequenas na capacidade produtiva, nos processos de fabricação ou no controle de qualidade podem gerar prejuízos expressivos quando o produto chega ao Brasil. "Uma economia na compra pode se transformar em um custo muito maior quando surgem atrasos, devoluções ou falhas de desempenho. A importação deixou de ser uma negociação pontual e passou a exigir gestão permanente da cadeia de fornecimento", ressalta.

Essa mudança também alterou a forma como as empresas brasileiras negociam com fabricantes chineses. Auditorias presenciais, visitas técnicas, homologação de fornecedores, testes de produtos e acompanhamento da produção passaram a integrar a rotina de empresas que buscam reduzir riscos e garantir estabilidade no abastecimento.

Para quem pretende iniciar operações internacionais, o especialista recomenda que o planejamento antecede qualquer negociação comercial. Antes de solicitar cotações, a empresa deve identificar quais produtos fazem sentido para sua estratégia, verificar exigências regulatórias, avaliar a estrutura dos fabricantes e mapear todos os custos envolvidos na operação, incluindo frete, armazenagem, seguros, desembaraço aduaneiro, tributação e exposição cambial.

"O empresário que calcula apenas o valor da mercadoria dificilmente terá uma operação saudável. A competitividade nasce quando todos os custos são conhecidos antes da compra e quando existe previsibilidade sobre prazos, qualidade e abastecimento", observa.

Outro aspecto que ganhou importância é a construção de relacionamento direto com as indústrias. Na visão do executivo, conhecer os processos produtivos e manter contato frequente com os fabricantes permite negociar melhores condições comerciais, acompanhar evoluções técnicas e desenvolver produtos mais alinhados às necessidades do mercado brasileiro.

"A relação deixa de ser apenas comercial. Quando existe confiança entre fabricante e importador, surgem oportunidades para desenvolver produtos exclusivos, negociar condições mais competitivas e responder com mais rapidez às mudanças do mercado", explica.

O avanço das plataformas digitais facilitou o acesso a fornecedores em praticamente todos os segmentos, mas também aumentou a necessidade de critérios mais rigorosos na seleção de parceiros. Para Gustavo Braz, essa nova realidade exige uma postura mais estratégica das empresas.

"Quem continuar importando apenas pelo menor preço terá cada vez mais dificuldade para competir. As empresas que vão crescer são aquelas capazes de transformar a relação com seus fornecedores em uma vantagem estratégica para todo o negócio", conclui.

Na prática, a importação direta da China deixou de representar apenas uma alternativa para reduzir custos e passou a fazer parte da estratégia de crescimento das empresas. Mais do que comprar produtos no exterior, o desafio agora é construir uma cadeia de suprimentos capaz de combinar qualidade, previsibilidade e capacidade de adaptação em um cenário internacional cada vez mais dinâmico.

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