
Indústria de vitaminas investe em segurança e higiene para atender alta demanda no inverno
Em resumo
Com o aumento da procura por vitaminas no inverno, a indústria farmacêutica e nutracêutica aprimora seus processos. Fabricantes buscam válvulas sanitárias que garantam precisão, higiene e segurança na produção para atender à demanda crescente.
| Setor | Indústria e Tecnologia |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 4 min |
Indústria de vitaminas investe em segurança para atender à procura no inverno
Crescimento da categoria aumenta a busca por válvulas sanitárias capazes de garantir precisão, higiene e segurança na indústria farmacêutica e nutracêutica
Com o inverno, aumenta a preocupação da população com a saúde respiratória e o funcionamento do sistema imunológico. Segundo o Ministério da Saúde, as temperaturas mais baixas favorecem a circulação de vírus causadores de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias.
Esse comportamento também aparece nos números do setor. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres, ABIAD, mostram que o consumo aparente de vitaminas cresceu 24,6% nos 12 meses encerrados em setembro de 2025. As importações de vitaminas somaram aproximadamente US$ 325 milhões entre janeiro e dezembro de 2025, ante US$ 271 milhões no período anterior, alta próxima de 20%.
Essa procura exige que fabricantes de vitaminas e suplementos preparem suas linhas para produzir volumes maiores sem comprometer a higiene, a dosagem e a uniformidade dos lotes. Em produtos líquidos, xaropes, soluções orais e compostos vitamínicos, o controle do fluxo ocorre desde o recebimento das matérias-primas até o envase.
É nessa estrutura que as válvulas sanitárias atuam diretamente na qualidade final do produto. “As válvulas controlam a passagem dos líquidos durante todo o processo. Uma variação na dosagem, uma vedação inadequada ou a retenção de resíduos pode afetar o lote inteiro. Por isso, a seleção do equipamento deve considerar o produto, a temperatura, a pressão, o método de limpeza e a frequência de operação”, explica Matheus Amorim, supervisor de Vendas Externas da GEMÜ do Brasil.
A fabricação de vitaminas pode envolver preparação de ingredientes, dissolução, mistura, dosagem, filtração, esterilização, transferência entre tanques e envase. Cada fase possui exigências próprias de vazão, temperatura, pressão e limpeza. Durante a mistura, a válvula precisa permitir a alimentação controlada dos ingredientes para evitar diferenças entre lotes. Na dosagem, pequenas variações podem alterar a concentração do produto. Na transferência entre tanques, a vedação deve impedir vazamentos e o contato do produto com o ambiente externo.
No envase, a repetibilidade interfere diretamente na quantidade colocada em cada frasco, ampola ou recipiente. “As etapas de preparação, mistura, dosagem, filtração, esterilização e envase pedem controle rigoroso. Uma falha operacional pode provocar perda de matéria-prima, interrupção da linha ou descarte do produto”, afirma Amorim.
As válvulas de diafragma são utilizadas com frequência nessas aplicações porque o fluido entra em contato apenas com o corpo da válvula e o diafragma. A separação entre o acionamento e o produto reduz pontos de contato e atende processos com exigências higiênicas elevadas.
Limpeza da linha ajuda a reduzir riscos de contaminação
Outro ponto observado pela indústria farmacêutica e nutracêutica é a capacidade de limpeza dos componentes. Corpos internos com acabamento adequado, boa drenagem e poucas áreas de retenção diminuem o acúmulo de resíduos. As soluções da GEMÜ podem ser configuradas para sistemas CIP e SIP. O CIP permite a limpeza dos equipamentos sem desmontar a linha. Já o SIP utiliza vapor ou outro método validado para esterilizar o sistema instalado.
Esses processos ajudam a remover resíduos de lotes anteriores e permitem que a produção seja retomada de acordo com os procedimentos sanitários definidos pelo fabricante. “Uma válvula com geometria inadequada pode criar regiões em que o produto permanece acumulado. O projeto sanitário procura reduzir essas áreas, facilitar a drenagem e permitir que a solução de limpeza alcance as superfícies internas”, comenta o supervisor.
Em linhas automatizadas, sensores, indicadores de posição e controladores fornecem informações sobre abertura, fechamento e condições operacionais das válvulas. Esses dados ajudam a identificar desvios, confirmar etapas do processo e registrar as condições utilizadas em cada lote.
O monitoramento também permite programar intervenções com base no número de ciclos ou no comportamento do equipamento, reduzindo paradas inesperadas. As válvulas de controle podem regular pequenas vazões de nutrientes e outros fluidos com precisão e repetibilidade. Blocos de válvulas com menor volume interno e geometrias voltadas à redução de áreas de retenção também podem ser utilizados em linhas com elevado grau de exigência sanitária.
Embora o interesse dos consumidores por vitaminas cresça durante o inverno, os fabricantes precisam observar as regras para divulgação de suplementos alimentares. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, proíbe promessas de “aumento da imunidade”, assim como alegações de prevenção, tratamento ou cura de doenças. Suplementos alimentares não são medicamentos e devem ser apresentados como complemento da alimentação.
A regulamentação permite afirmações específicas quando o produto atende às quantidades e condições estabelecidas. Entre os exemplos autorizados estão “a vitamina C, que auxilia no funcionamento do sistema imune” e “a vitamina D, que auxilia no funcionamento do sistema imune”.
Essa diferença deve ser considerada desde o desenvolvimento da fórmula até a rotulagem e a publicidade. “A indústria precisa combinar comunicação responsável com um processo produtivo controlado. Não basta selecionar bons ingredientes. É preciso garantir que mistura, dosagem, limpeza, transferência e envase ocorram conforme os parâmetros definidos para cada produto”, conclui Matheus Amorim.
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