
Intralogística: integração entre WMS e automação eleva produtividade na separação de pedidos
Em resumo
A integração entre o sistema WMS da Senior e equipamentos de automação da Compudeck permitiu à Blukit elevar a produtividade na separação de pedidos, enfrentando desafios como a escassez de mão de obra e o aumento do e-commerce.
| Setor | Logística |
|---|---|
| Publicado em | |
| Autoria | Redação Indústria S/A |
| Tempo de leitura | 4 min |
Intralogística: integração entre WMS da Senior e automação eleva produtividade na separação de pedidos
Intralogística: integração entre WMS da Senior e automação eleva produtividade na separação de pedidos
Caso da Blukit, que conecta o sistema da Senior Sistemas a um sorter da Compudeck, mostra como a integração entre gestão e equipamentos amplia a capacidade operacional diante da escassez de mão de obra
O avanço do comércio eletrônico e dos marketplaces mudou o perfil dos pedidos na indústria: são mais numerosos, menores e com prazos de entrega mais curtos. Somada à escassez de profissionais, essa mudança expôs um limite em muitas operações, que é separar, conferir e expedir mercadorias na mesma velocidade da produção. A integração entre sistemas de gestão e equipamentos de automação tem ganhado espaço como forma de ampliar a produtividade sem um aumento proporcional das equipes.
Um exemplo é a operação da Blukit, empresa que utiliza o sistema de gerenciamento de armazéns (WMS) da Senior Sistemas integrado a um sorter, equipamento de automação fornecido pela Compudeck. Com a reorganização das estações de trabalho e a movimentação automatizada dos pedidos por esteiras, houve um aumento expressivo na capacidade operacional e na produtividade do processo de separação.
A mudança partiu da identificação de um gargalo operacional: o tempo gasto pelos profissionais no deslocamento entre os endereços de estoque para coletar os produtos de cada pedido.
“Boa parte do tempo da operação não estava na separação em si, mas no caminho até os produtos. Quando invertemos a lógica e passamos a levar o pedido até o operador, a produtividade mudou de patamar”
, afirma José Leopoldo da Silva, gerente de TI da Blukit.
O caso ilustra uma mudança na estratégia de intralogística, área responsável pelos fluxos internos de materiais e mercadorias. À medida que a produção e as vendas avançam, atividades como picking, movimentação e expedição podem se tornar fatores limitantes da capacidade de atendimento. A automação desses processos busca reduzir deslocamentos, retrabalho e atividades repetitivas, além de dar mais previsibilidade à operação.
Integração de sistemas é condição para escalar
“Antes de escolher o equipamento, é preciso entender onde está o gargalo. A automação tem de ser pensada a partir do processo completo, e não como a compra isolada de máquinas”
, afirma Anderson Benetti, head de Produto de Logística da Senior Sistemas.
Na operação da Blukit, o WMS organiza as atividades de armazenagem e separação, enquanto o sorter automatiza parte da movimentação dos pedidos.
“A integração conecta a inteligência do sistema ao fluxo físico das mercadorias. Com isso, deixamos de depender de controles paralelos e reduzimos bastante as intervenções manuais”
, explica Silva.
O projeto também evidencia que a automação não segue um modelo único.
“Não existe sorter de prateleira. A configuração depende do layout do centro de distribuição, das dimensões dos produtos, do perfil dos pedidos e dos volumes movimentados”
, diz Leonardo Garcia, head comercial da Compudeck. Por isso, o desenho da solução foi desenvolvido em conjunto pelas três empresas, a partir da análise dos processos e dos indicadores da operação.
Outro aspecto importante é a integração entre os sistemas de gestão empresarial (ERP), de gerenciamento de armazéns (WMS) e de transporte (TMS).
“Quando ERP, WMS e TMS compartilham informações, a empresa consegue acompanhar o pedido em todo o fluxo logístico, organizar prioridades e dimensionar equipes e recursos de acordo com a demanda real”
, observa Benetti.
A qualidade dos dados também influencia a avaliação dos resultados. Para comparar o desempenho de uma operação automatizada com o de uma estrutura convencional, é necessário estabelecer indicadores consistentes e distinguir os fluxos que utilizam automação daqueles que continuam manuais.
Planejamento considera picos de demanda e crescimento
A definição da capacidade dos equipamentos é outro desafio para a indústria.
“Um projeto de automação leva meses entre a concepção, a aquisição, a instalação e a entrada em operação. Se o dimensionamento considerar só o volume médio de pedidos, a estrutura pode ficar insuficiente antes mesmo de atingir sua plena utilização”
, alerta Garcia.
Por isso, o planejamento precisa considerar os picos de demanda, a sazonalidade comercial, a expansão do portfólio e as projeções de crescimento da empresa. A análise também deve contemplar o aumento da necessidade de armazenagem, evitando que uma melhoria pontual na separação transfira o gargalo para outra etapa da operação.
“A experiência com a integração entre o WMS e o sorter já serve de referência para avaliarmos oportunidades em outras unidades. Mas cada etapa que ganha produtividade pode revelar um novo ponto de restrição, e é isso que precisamos acompanhar de perto”
, afirma Silva.
Automação muda o papel das equipes
A adoção dessas tecnologias também altera a distribuição do trabalho dentro dos centros de distribuição. Em vez de ter profissionais dedicados predominantemente a deslocamentos e tarefas repetitivas, a operação pode direcionar parte da equipe para o acompanhamento de indicadores, a análise de exceções e a identificação de oportunidades de melhoria.
A proposta, portanto, não se limita à redução do esforço operacional. Ao permitir que a mesma estrutura de pessoal processe volumes maiores, a automação pode contribuir para a escalabilidade do negócio e para a melhoria do nível de serviço.
“A inteligência artificial tende a ampliar esse movimento, mas depende de uma base organizada, com processos claros, sistemas integrados e dados confiáveis. Com informações estruturadas, ela pode apoiar a análise de padrões, a identificação de desvios e as decisões sobre movimentação e distribuição dos produtos”
, avalia Benetti.
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