
Preço da sucata ferrosa brasileira estável com demanda baixa Sucata | Metais 19/9/2023
Novas transações pontuais de sucata ferrosa do Brasil foram registradas na semana até 18 de setembro, mas de quantidades muito baixas para acelerar a movimentação de preços na região, disseram participantes do mercado, que também citaram o retorno gradual das transações de sucata de cavaco de aço nos mercados doméstico e de exportação.
Enquanto muitos recicladores ainda indicaram um ambiente de negociações e vendas fracas entre siderúrgicas e fundições, outros fecharam menos vendas. Em uma dessas transações, uma siderúrgica fez, para um reciclador, ofertas de compra de R$ 1.420/t por sucata miúda (HMS) e de R$ 1.150/t por sucata de cavaco de aço, ambas sem frete incluso e com forma de pagamento em prazo mais longo.
Um comprador de sucata industrial e de materiais premium disse que as empresas geradoras, tais como montadoras e sistemistas, não aceitam mais cortes de preços. “Elas estão muito cansadas. Por isso, nem pedimos mais reduções porque os fornecedores não estão aceitando mais”, disse.
Para ele, o preço da sucata doméstica já atingiu um valor que, se cair mais, vai entrar em colapso. “Este ano, para ser honesto, é pra esquecer, estamos estagnados… na economia em geral, demanda zero, muitas importações de aço e [as usinas] descontam nos preços da sucata”, afirmou.
Em outras buscas por alguma margem positiva, um fabricante de autopeças contou que recebeu, de um grande reciclador, uma oferta de compra com desconto a R$ 650/t por sucata de cavaco de aço, mas conseguiu manter o preço atual de R$ 750/t.
Na opinião dele, as recentes quedas da taxa de juros (Selic) e o fortalecimento do governo brasileiro sugerem um cenário promissor para o próximo ano, algo que já está se manifestando no último trimestre. Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa de juros local em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano.
Ao mesmo tempo, as exportações que pagaram as contas dos recicladores brasileiros nos últimos meses registraram “preços um pouco mais baixos, por causa da pequena queda do dólar no período”, acrescentou um reciclador exportador.
Um consultor de exportação próximo a recicladores locais indicou um mercado doméstico fraco por enquanto. “Especialmente porque não há consumo, nada no setor imobiliário e a produção de automóveis está fraca, e não há linhas de crédito”, explicou. Entretanto, para as exportações, ele previu aumento da demanda até fevereiro ou março de 2024, embora os sinais externos possam apontar para um menor interesse da Índia, principal comprador do material brasileiro no exterior.
Na semana passada, os preços da sucata ferrosa triturada importada em contêiner caíram naquele país com a queda da demanda por importações, uma vez que as usinas divulgaram estoques suficientes de sucata, segundo a S&P Global Commodity Insights.
A Platts avaliou a sucata de estamparia para siderurgia estável em R$ 1.025/t FOT, com base na faixa de R$ 900-1.150/t das transações, ofertas de compra e de venda mais repetíveis. A sucata miúda pesada (HMS) e a sucata de cavaco de aço também ficaram inalteradas, em R$ 1.000/t FOT e R$ 650/t FOT, respectivamente.
Entre os materiais não ferrosos, as latas de alumínio subiram 1,6%, ou R$ 0,10, para US$ 6,35/kg, após as pequenas oscilações da Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês) e do dólar. O bloco de alumínio e a sucata de perfil de alumínio ficaram inalteradas em R$ 6,80/kg e R$ 10,80/kg, respectivamente.
A Platts é parte da S&P Global Commodity Insights.
Fonte: Platts

