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Setor minero-metalúrgico busca atrair jovens talentos e qualificar mão de obra em meio a desafios
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Setor minero-metalúrgico busca atrair jovens talentos e qualificar mão de obra em meio a desafios

Redação Indústria S/A4 min de leitura

Em resumo

Líderes de grandes empresas do setor minero-metalúrgico debateram a carência de mão de obra especializada e a necessidade de tornar a área mais atrativa para novos talentos. A discussão abordou soluções para engajar jovens e a importância da qualificação profissional, incluindo o uso da inteligência artificial.

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AutoriaRedação Indústria S/A
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Fórum de Líderes destaca a importância da capacitação e de tornar o setor minero-metalúrgico atrativo para novos talentos Executivos da Usiminas, Gerdau, CBMM e Samarco debateram a falta de mão de obra especializada na mineração, metalurgia e siderurgia, um dos principais desafios da indústria nacional. Fonte: Assessoria ABM

O primeiro dia da ABM Week 10 teve como destaque o Fórum de Líderes, com o tema “Capital humano: liderando a transformação da indústria”. Realizado no Auditorium Gerdau, o debate tratou dos desafios para atrair e reter talentos nos setores da mineração, siderurgia e metalurgia, e contou com as contribuições de alguns dos principais líderes das áreas: Marcelo Chara, CEO da Usiminas; Maurício Metz, vice-presidente da Gerdau Aços Brasil; Ricardo Fonseca de Mendonça Lima, CEO da CBMM; e Rodrigo Alvarenga Vilela, CEO da Samarco, além da mediação realizada por Ricardo Henriques, professor da Fundação Dom Cabral.

De acordo com Vânia Lúcia de Lima, coordenadora do Fórum e membro do conselho de administração da ABM, a discussão se faz ainda mais necessária frente ao período atual, no qual se somam tensões geopolíticas, tarifas internacionais, protecionismo econômico de nações estrangeiras e avanços tecnológicos. “A crise de mão de obra tem ficado cada vez mais dramática tendo em vista o envelhecimento da população e as novas tecnologias, como a inteligência artificial. Podemos dizer sem exagero que precisamos nos reinventar para permanecermos competitivos”, resume.

Carência de mão de obra qualificada

Os especialistas argumentam que a falta de mão de obra pode ser explicada por múltiplas frentes. Um dos fatores, de acordo com Ricardo Henriques, professor da Fundação Dom Cabral, é o fato de o setor minero-metalúrgico não se apresentar atrativo para os mais jovens.

“Os engenheiros no Brasil continuam sendo capturados pelo mercado financeiro”, ressalta o moderador do Fórum. Rodrigo Alvarenga Vilela, CEO da Samarco, complementa afirmando que “temos uma escassez na qualidade e quantidade da mão de obra”.

Ricardo ainda argumenta que o bônus demográfico brasileiro está chegando ao fim, e há urgência em aproveitá-lo. “Há uma janela de oportunidade para o Brasil transformar sua vantagem comparativa em vantagem competitiva, e a engenharia é parte disso”, ressalta.

Soluções para fomentar atratividades

Para atrair e reter jovens talentos para o setor, os especialistas sugerem uma série de mudanças que podem tornar a área mais atrativa. Maurício Metz, vice-presidente da Gerdau Aços Brasil, explica: “o que engaja as pessoas a ficar em empresas é o propósito. Para isso, precisamos construir um país onde as pessoas tenham acesso aos recursos que elas precisam para se desenvolver”.

O executivo ainda lista que as empresas devem priorizar autonomia “com estruturas menos hierárquicas, onde as pessoas se sintam à vontade para ser quem elas são, aprenderem e conviverem na empresa” e a necessidade de fornecer desafios: “o profissional se sente motivado ao resolver problemas complexos e fazer a diferença com a sua inteligência”.

Para Maurício, demonstrar o impacto da metalurgia também é essencial: “quando divulgamos que o palco do Rock in Rio é feito de aço, ou que conseguimos montar um hospital com aço em 37 dias durante a pandemia, demonstramos que a metalurgia influencia em entretenimento, saneamento básico, saúde e educação, por exemplo. Essa parte é importante para atrair talentos”.

Por fim, Marcelo Chara, CEO da Usiminas, complementa afirmando que “humanizar nosso trabalho faz a diferença e faz com que nossos jovens pensem que as empresas abrem as portas para as pessoas”. Ele ressalta que incluir a nova geração pode ser um desafio, mas também “uma enorme oportunidade de misturar experiências dos mais velhos com a irreverência dos mais jovens e harmonizar tudo isso para obter valor”.

Qualificando mão de obra

Ricardo Fonseca de Mendonça Lima, CEO da CBMM, defendeu a importância da qualificação durante o Fórum de Líderes: “muito se discute sobre a mineração do futuro, siderurgia do futuro, sobre minerais críticos, mas não adianta falar do futuro se não tivermos profissionais qualificados”.

Para conseguir alcançar essa meta, o CEO defende uma maior aproximação com escolas, demonstrando o que as empresas do setor fazem, e estar aberto a ouvir os mais jovens “é necessário respeito e humildade para ter contribuição de todas as gerações e que possamos ter evolução para a companhia”.

A qualificação de mão de obra torna-se mais complexa em um momento de difusão da Inteligência Artificial. No entanto, os líderes argumentam que ela pode ser uma ferramenta preciosa para aumentar a produtividade.

“O desafio é pensar como eu desenvolvo a competência técnica dos engenheiros associada com a sua competência humana. Nesse sentido, a IA não deve pensar por mim, mas me fazer pensar melhor”, explica Ricardo Henriques.

Rodrigo Alvarenga complementa afirmando que “temos que estar preparados para testar as novas fronteiras do conhecimento e tecnologia. O uso de IA é um caminho sem volta e temos que motivar os grupos a usar essa tecnologia de forma aplicada. Não devemos pensar em automatizar tudo, e, sim, em como vamos aplicar a IA nos processos para melhorar a qualidade do trabalho”.

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