
Último leilão de energia do ano movimenta R$ 57,3 bilhões, com deságio de 15,34%
O Ministério de Minas e Energia realizou nesta terça-feira (21) um leilão de contratação de reserva de capacidade de potência e de energia elétrica, proveniente de usinas termelétricas novas e existentes. Ao todo, foram movimentados R$ 57,3 bilhões, com deságios chegando a 15,34%. A expectativa é de um investimento de R$ 5,98 bilhões.
O leilão foi o primeiro do Brasil para contratação de reserva de capacidade. Participaram empreendimentos de geração novos e existentes, totalizando 132 projetos, com 50.691 megawatts (MW) de potência. O leilão foi exclusivo para oferta de geração de energia via termelétricas.
Foram 17 vencedores, com uma potência contratada de 4.632 MW, com preço médio de R$ 824 mil por MW/ano. O início do suprimento dessa energia está previsto para 2026 e 2027, com contratos de vigência de 15 anos. Entre as vencedoras, estão as usinas da Petrobras, Neoenergia e Eneva.
Além de potência elétrica, os empreendimentos também puderam contratar energia no certame, desde que fosse respeitado o limite de até 30% de inflexibilidade – parâmetro que indica o mínimo que uma usina deve gerar constantemente – por ano. Porém, não houve contratação desse produto.
De acordo com André Patrus, gerente-executivo da secretaria de leilões da Aneel, a oferta de potência era o principal foco do leilão, e a demanda foi totalmente atendida. Ele classificou o deságio, em relação ao teto de preço do ministério, como “bom, com uma economia de mais de R$ 10 bilhões para os consumidores finais”.
Das vencedoras, oito são usinas movidas a gás, uma a bagaço de cana, duas a óleo diesel e cinco a óleo combustível. Entretanto, Patrus afirmou que as sete usinas movidas a óleo participaram do leilão apenas porque obtiveram liminares autorizando a entrada, mesmo com elas tendo custos de operação acima do estabelecido.
Segundo ele, as decisões judiciais serão discutidas judicialmente. “Se as liminares caírem, será avaliada a possibilidade de convocar outras participantes do leilão realizado ou abrir um leilão para nova contratação, porque a disponibilidade é necessária para 2026”, afirma. O início da operação será até o segundo semestre de 2026.
Todas as usinas são 100% flexíveis, ou seja, ficam desligadas e são acionadas apenas quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) achar que são importantes para garantir o atendimento à demanda, dando mais segurança ao sistema elétrico brasileiro.
O ministério estabeleceu um custo máximo de operação para as termelétricas, em um valor inferior ao pago hoje para operação em meio à crise hídrica de 2021. Com isso, a expectativa é que, caso elas precisem ser acionadas em 2026, o valor nas contas de luz cobrado seria inferior ao de atualmente.
Fonte: CNN Brasil